segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Dia Mundial da Juventude

A organização do Dia Mundial da Juventude (DMJ) que se realizará na cidade de Madri em agosto de 2011 espera mais de dois milhões de participantes: um milhão de espanhóis, meio milhão de outros países europeus e até 200 mil jovens procedentes dos países da imigração. Esses são alguns dos dados divulgados na última sexta-feira pelo Arcebispo de Madri e presidente da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), Cardeal Antonio María Rouco Varela.

Durante uma coletiva de imprensa na presença de cerca 30 jornalistas estrangeiros, o Cardeal Rouco Varela destacou a presença de jovens brasileiros, pois o Brasil é "candidato" a acolher o Dia Mundial da Juventude após Madri.

Espera-se que a capital espanhola receba dois milhões de jovens nos dois momentos "principais": a Vigília do sábado e a Eucaristia do domingo, no Aeródromo de Quatro Ventos. Dos jovens presentes, um milhão serão espanhóis e até 200 mil de países de imigração, destacou o cardeal. Um dos maiores desafios organizativos, disse o prelado, é o tema dos vistos.

Da Europa espera-se a chegada de meio milhão de jovens, 100 mil italianos, outro tanto de franceses e em número similar da Alemanha. Da Polônia, o Cardeal calculou 50 mil.

Por sua vez, dos países latino-americanos, o arcebispo explicou que até a data a maior afluência se espera seja do Brasil, pois o país "mostrou desejos" de organizar o Dia Mundial da Juventude em 2014, destacou o cardeal.

A Conferência de Bispos Católicos do Brasil (CNBB) publicou em 2007 um manifesto onde propôs que o DMJ após Madri seja realizado no país, apresentando as cidades de Belo Horizonte e Rio de Janeiro como possíveis sedes do evento.

Entre 50 mil e 100 mil jovens norte-americanos são esperados em Madri junto com um grupo muito numeroso do Canadá. Mas o Cardeal Rouco Varela destacou sobretudo o entusiasmo de 5 mil jovens que já se sabe virão da Austrália.

O cardeal reiterou diante dos jornalistas o calendário de atividades para o DMJ, "experiência religiosa de grande impacto", em torno de quatro eventos.

O ato de acolhida ao Papa Bento XVI, na quinta-feira, terá lugar na Praça de Cibeles. O Via Crucis pelo passeio do Recoletos e o Passeio da Castelhana, uma procissão com passos representativos da Semana Santa espanhola. E a vigília do sábado e a Eucaristia do domingo, que terão lugar no aeródromo de Quatro Ventos, lugar que acolheu seis anos atrás o encontro do Papa João Paulo II com os jovens espanhóis.

Além destas atividades, haverá "momentos de reflexão" - como catequeses com bispos marcadas pelo lema ´Edificados e arraigados em Cristo, firmes na fé´ e visitas às igrejas, que manterão suas portas abertas com o Santíssimo exposto - e momentos de diversão. Madri é conhecida por isso, brincou o cardeal com visitas a museus, noites musicais, etc.

Fonte: Rádio Vaticano
Local: Madri - Espanha

Copa do Mundo da Criança de Rua

O que é a Copa?

Catorze de março se aproxima, e com ele o primeiro campeonato de futebol de crianças de rua do mundo. Brasil, África do Sul, Índia, Ucrânia, Nicarágua, Filipinas, Reino Unido e Tanzânia mandam suas equipes para Durban, na África do Sul, para disputar o torneio misto de futebol society (o Vietnã participa do evento contribuindo com o serviço de alimentação e hospedagem, mas não quis participar dos jogos). Mas o clima de competição termina quando o juiz apitar. Afinal, fora de campo, estão todos no mesmo time pelo direito das crianças. Esse evento vai muito além do futebol, e nós não poderíamos ficar de fora dessa!

Representado por uma parceria entre a ABC Trust, o Projeto Quixote e a São Martinho, o Brasil está na expectativa do embarque. E nosso time de campeões, em aquecimento.
ÁFRICA DO SUL 2010

A Copa do Mundo de Criança de Rua é um evento organizado por uma rede de organizações não-governamentais, liderada pela Amos Trust e da qual a ABC Trust faz part. A Consortium for Sreet Children, a Street Action, e a Global Goals também dão suporte com expertise e aconselhamento.

Mas perdeu quem achou que a Copa do Mundo da Criança de Rua fosse um mero bate-bola. Em Durban, os jovens ficarão hospedados na Star Seaside Home e antes dos jogos, vão participar de atividades culturais com artistas profissionais recrutados pela organização Momentum Arts. Por meio das artes, eles contarão suas histórias e discutirão seus direitos. As peças vão ficar expostas na Durban Art Gallery em uma exibição conjunta com a Art for Humanity. Depois, a exposição circula de país em país, passando inclusive pelo Brasil. Os jovens ainda serão treinados pela Coaching for Hope, uma das organizações parceiras, que usa o futebol para criar um futuro melhor para os jovens da África do Sul e do Oeste. Os jogos acontecem na sede de uma das organizações parceiras, a Umthombo, na Durban University of Technology e nas escolas envolvidas no programa British Council’s Dream and Teams. Você pode acompanhar o andamento das partidas aqui.

Pra finalizar o evento, os jovens vão liderar uma conferência sobre os direitos da criança e do adolescente. Da boca deles, políticos, parlamentares e outras pessoas chaves na questão da infância vão ouvir o que eles têm a dizer sobre as mudanças que querem ver implementadas nos países, para que outras crianças e outros jovens não passem pelo o que eles já passaram. O resultado final desta conferência será o Manifesto da Criança de Rua, que será assinado por todos os presentes e vai nortear as ações das organizações envolvidas.          
Brasil 2014

Com essas ações, vamos deixar um Brasil mais justo com nossas crianças e jovens até 2014 – ano em que o Brasil será sede da segunda edição da Copa do Mundo da Criança de Rua e da Copa do Mundo da FIFA.
Para isso, a gente já tem um plano: vamos fazer arte! Com mais cultura, educação integral de qualidade, escolas mais abertas e próximas aos alunos, estudantes mais críticos e envolvidos com a educação, esse jogo está ganho!

Fonte: Site Copa do Mundo da Criança de Rua
Local: Brasil

Futebol Solidário: África do Sul sediará Copa do Mundo da Criança de Rua

Além do evento da Fifa, a África do Sul sediará em 2010 a Copa do Mundo da Criança de Rua, com times formados por jovens de 13 a 16 anos que não tinham onde morar. O Brasil participará com time do Projeto Quixote, de SP


Não serão só os grandes atletas que jogarão futebol este ano, na África do Sul. A organização britânica Amos Trust está organizando a primeira edição da Street Child World Cup (Copa do Mundo da Criança de Rua), que também acontecerá no país africano, entre os dias 14 e 23 de março, na cidade de Durban.

Além do Brasil, outros sete países participarão da Copa: Nicarágua, Tanzânia, Ucrânia, Índia, Filipinas, Reino Unido e África do Sul, que serão levados ao evento por organizações não governamentais. Cada nação será representada por um time de futebol – formado por jovens entre 13 e 16 anos que já viveram nas ruas e hoje moram em abrigos ou voltaram para suas casas.

Coordenada pela ONG ABC Trust – Action for Brazil’s Children, a equipe brasileira foi formada pelo Projeto Quixote, que pré-selecionou 11 meninos e meninas que viveram por cerca de um ano e meio nas ruas da região da Luz, Vale do Anhangabaú, Rua Amaral Gurgel e Praça da República. Desses, nove serão escolhidos para ir à África representar o Brasil.

Segundo o Projeto, os jovens não foram selecionados por suas habilidades no futebol, mas sim por seus históricos de vida e superação. Aqueles que têm maior frequência e participação nas atividades do Projeto e, ainda, mais facilidade para se comunicar e se relacionar foram priorizados.

Isso porque o foco da Copa do Mundo da Criança de Rua não é o futebol. A ideia é aproveitar a popularidade do esporte e da Copa da Fifa para deixar que esses jovens falem para o mundo o que passaram nas ruas e o que é necessário fazer para que outras crianças não vivenciem a mesma situação.

Para tanto, paralelo à Copa, acontecerá a Conferência pelos Direitos das Crianças de Rua, que tornará possível o encontro desses jovens com políticos de todo o mundo, a fim de discutir políticas públicas que ajudem na retirada das crianças das ruas.

Tudo o que acontecer durante a viagem, na Copa e na Conferência, será registrado pelos jovens no blog Fala Sério.

Leia também:
 
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Mineirão sofrerá reforma verde
Copa Verde: um gol pela sustentabilidade
Gramados ainda mais verdes 

Não serão só os grandes atletas que jogarão futebol este ano, na África do Sul. A organização britânica Amos Trust está organizando a primeira edição da Street Child World Cup (Copa do Mundo da Criança de Rua), que também acontecerá no país africano, entre os dias 14 e 23 de março, na cidade de Durban.

Além do Brasil, outros sete países participarão da Copa: Nicarágua, Tanzânia, Ucrânia, Índia, Filipinas, Reino Unido e África do Sul, que serão levados ao evento por organizações não governamentais. Cada nação será representada por um time de futebol – formado por jovens entre 13 e 16 anos que já viveram nas ruas e hoje moram em abrigos ou voltaram para suas casas.

Coordenada pela ONG ABC Trust – Action for Brazil’s Children, a equipe brasileira foi formada pelo Projeto Quixote, que pré-selecionou 11 meninos e meninas que viveram por cerca de um ano e meio nas ruas da região da Luz, Vale do Anhangabaú, Rua Amaral Gurgel e Praça da República. Desses, nove serão escolhidos para ir à África representar o Brasil.

Segundo o Projeto, os jovens não foram selecionados por suas habilidades no futebol, mas sim por seus históricos de vida e superação. Aqueles que têm maior frequência e participação nas atividades do Projeto e, ainda, mais facilidade para se comunicar e se relacionar foram priorizados.

Isso porque o foco da Copa do Mundo da Criança de Rua não é o futebol. A ideia é aproveitar a popularidade do esporte e da Copa da Fifa para deixar que esses jovens falem para o mundo o que passaram nas ruas e o que é necessário fazer para que outras crianças não vivenciem a mesma situação.

Para tanto, paralelo à Copa, acontecerá a Conferência pelos Direitos das Crianças de Rua, que tornará possível o encontro desses jovens com políticos de todo o mundo, a fim de discutir políticas públicas que ajudem na retirada das crianças das ruas.

Tudo o que acontecer durante a viagem, na Copa e na Conferência, será registrado pelos jovens no blog Fala Sério. 

Fonte: Débora Spitzcovsky - Planeta Sustentável
Local: África do Sul

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Abertura da Campanha da Fraternidade 2010


Na quarta-feira de cinzas desse ano, foi aberta oficialmente a Campanha da Fraternidade Ecumênica que tem como tema “ECONOMIA E VIDA” e como lema “VOCÊS NÃO PODEM SERVIR A DEUS E AO DINHEIRO”. (Mt 6,24)

Várias cidades tiveram cerimônias de abertura como, em Brasília, onde os representantes do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e fizeram um panorama do que seria a campanha este ano.
Em São Paulo na catedral da Sé, dom Odilo Scherer arcebispo metropolitano de São Paulo, concedeu uma coletiva de imprensa a diversos veículos de comunicação, e depois presidiu a missa de cinzas para todos os presentes, e aos moradores da cidade. A equipe da Revista Mundo e Missão esteve presente, éramos uns quinze jornalistas, a maioria de veículos da imprensa católica, mas o acontecimento também foi coberto por grandes emissoras como a Globo News.
Dom Odilo, fez uma explanação sobre o tema, e logo depois abriu espaço para perguntas. A Campanha da Fraternidade quer ajudar a construir novas relações, apontando princípios de justiça, denunciando ameaças e violações da dignidade e dos direitos, abrindo caminhos de solidariedade. Nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica, as comunidades cristãs são convocadas a deixar-se interpelar pelas palavras de Jesus: “Não acumuleis para vós tesouros na terra, onde traças e os vermes arruínam tudo, onde ladrões arrombam as paredes para roubar”. Mas acumulai para vós tesouros no céu.” (Mt 6,l9-20ª). “Precisamos lançar a ideia de que a economia, não se trata de acumulação de bens, mas de partilha mútua, este é um momento propício para se falar em economia, o mundo passou por uma grave crise econômica e deixou muitas vítimas” completou dom Odilo. A campanha também baseada na última encíclica  Cáritas in Veritate quer resgatar os princípios éticos, e fazer um apelo a conversão, para o arcebispo deve-se ter atitude, criar relações econômicas para que a economia não venha a agredir a vida.
Quando questionado sobre como fazer com que as pessoas mudem seu pensamento, disse que era preciso ter uma ação educativa, incentivar um pensamento novo, e isso ocorre através dos exemplos que começam em casa, citou o desperdício dos alimentos, “muito é jogado fora, deve se ter mais respeito pela Vida”. Neste dia também foi feita a coleta da solidariedade para o povo do Haiti, e todas as paróquias foram convidadas a fazer o mesmo. Dom Odilo ao ser questionado sobre o uso da água, lembrou da Campanha da Fraternidade de 2004, que teve como tema: Fraternidade e água e, como lema: “Água, fonte de vida”, e que a água não pode ser um produto, é necessário que a água seja um direito, um bem público, não pode ser um produto privatizado. Independente do ano eleitoral o arcebispo espera que este tema seja tratado pelos políticos, que haja a implantação de projetos que possam diminuir a desigualdade social. “É um tema difícil, se for tratado com teorias econômicas, mas se é com o olhar da campanha fica um pouco mais fácil”.
 “Ninguém pode servir a dois senhores: ou odiará a um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro! (Mt 6,24)”. Toda a vida de Jesus foi um testemunho de simplicidade no uso dos bens materiais, de solidariedade com os pobres, de distribuição gratuita dos dons de Deus.
O objetivo da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010 é estimular a todos a compreender e vivenciar os valores do Reino de Deus, a acreditar que uma nova sociedade, mais justa e solidária, é possível, e a construir um modelo econômico em que a vida esteja em primeiro lugar.

Fonte: Valesca Montenegro - Mundo e Missão
Local: São Paulo

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Brasil: Encontro Nacional de Coordenadores Estaduais da Juventude Missionária

Concluiu-se no último dia 15, na sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM), em Brasília, o 2° Encontro Nacional de Coordenadores Estaduais da Juventude Missionária.

Coordenadores de todo o Brasil debateram o tema "Traços da Espiritualidade Missionária Juvenil", com o lema "Chamados e Enviados a Todos os Povos" (cf. Lc 4,18).

Desde o dia 12, os participantes alternaram momentos de espiritualidade e formação missionárias, apresentação dos caminhos e trabalhos realizados pela Juventude Missionária em cada estado, com a avaliação dos encontros e materiais utilizados pelos jovens missionários. Houve também momentos de recreação e a escolha das canções, enviadas através do concurso de músicas, que vão compor o primeiro CD nacional da Juventude Missionária.

"A Juventude Missionária já é realidade em todo o Brasil. Este encontro vem para reforçar os laços entre os coordenadores estaduais e junto às POM, além de ser um momento de reflexão, avaliação e planejamento da caminhada" - afirmou Rodrigo Alves, representante da Juventude Missionária de São Paulo.


Fonte: Revista Missões
Local: Brasil





    

Setor Juventude da CNBB retoma atividades com encontro em Salvador

Preparação das atividades de 2011, plenária das Pastorais da Juventude do Brasil, 3º Congresso Latino Americano de Jovens, Campanha Nacional Contra a Violência e o Extermínio de Jovens, revitalização da Pastoral Juvenil Latinoamericana. Estes foram alguns dos pontos de pauta da reunião da Equipe Nacional das Pastorais da Juventude do Brasil e o Setor Juventude da CNBB que se reuniram, nesta semana, entre os dias 8 e 11, em Salvador (BA).

Segundo o secretário nacional da Pastoral da Juventude Rural, Josiel Ferreira, o trabalho comum das Pastorais da Juventude do Brasil (PJB) “se dá na união das forças em torno da vida da juventude e na comunhão pelo projeto do Reino de Deus”.

“Desde a sua 15ª Assembléia Nacional, as Pastorais da Juventude (PJ) desejam viver uma nova forma de organização. Há a esperança de vivermos, nos próximos tempos, cirandas de comunhão e de participação, tendo no centro a missão maior dos e das jovens da igreja: a defesa da vida da juventude”, explica a secretária nacional da PJ, Hildete Emanuele.

Participaram do encontro a secretária nacional da PJ, Hildete Emanuele; o secretário nacional da Pastoral da Juventude Rural, Josiel Ferreira; o representante da Equipe Nacional de Serviços da Pastoral da Juventude do Meio Popular, Eric Moura; e a representante da Pastoral da Juventude Estudantil, Tábata Silveira, além dos assessores nacionais do Setor Juventude da CNBB, padre Carlos Sávio e padre Wander Torres.

Fonte: CNBB
Local:Salvador (BA)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Brasil: Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010

Nas próximas semanas, uma boa parte das comunidades católicas e de outras Igrejas que participam da Campanha da Fraternidade Ecumênica vai começar a debater sobre "economia e vida". Eu gostaria de contribuir nessa discussão com uma série de artigos (espero que eu possa manter o ritmo semanal) sobre o tema da CF.

Quero começar com a pergunta: qual é o assunto central da CF? Muitos poderão responder rapidamente que é a economia. Respostas rápidas assim podem nos levar a repetir os velhos esquemas mentais e nos fazer a reduzir a CF a discussões sobre temas e questões econômicas, como por ex., o desemprego, pobreza, economia solidária etc.

Entretanto, o tema proposta pela CF não é economia, mas sim a relação entre "economia e vida", vista na perspectiva da fé cristã. Eu gostaria de destacar aqui duas dimensões dessa relação: a) a materialidade da vida; b) o aspecto teológico-espiritual  da  economia.

Há em muitas tradições religiosas, seja do Ocidente ou do Oriente, uma tendência de "espiritualizar" a noção de vida. Por exemplo, quando cristãos falam da salvação, uma grande parte pensa na salvação da alma. Isto é, estão preocupados com a vida eterna da alma. A vida que interessa realmente é a eterna de um "ser incorpóreo" (sem corpo). Com isso, a noção de vida vai se "espiritualizando" (no mal sentido), perdendo a sua dimensão corpóreo-material. Por isso, a missão das igrejas se concentra na evangelização ou na Pregação da Palavra entendidas como não tendo relação com aspectos materiais e econômicos da vida humana. A ação ou preocupação social em favor das pessoas pobres ou em necessidade se torna um complemento secundário à missão. O mais importante seria a salvação da alma.

Essa é uma das razões pela qual muitos grupos religiosos não se interessam pelo tema ou questões da economia nas suas discussões ou preocupações religiosas. Em grupos assim, o tema da CF deste ano não é importante para missão das Igrejas e será esquecido logo após a Campanha, se é que não será deixado de lado até mesmo no período da Campanha.

Essa separação é reforçada também, mesmo que inconsciente ou não intencionalmente, por grupos que assumem, em nome da sua fé, lutas econômicas e sociais, mas não conseguem elaborar um discurso religioso-espiritual capaz de articular de modo coerente a relação economia e fé. Esses grupos tendem a justificar as suas lutas e preocupações em nome da ética (bem-comum) ou da doutrina social da Igreja, mas não em relação à evangelização, salvação ou missão da Igreja. Infelizmente, muitos cristãos atuantes no campo econômico-social-político têm dificuldade em falar sobre evangelização, salvação ou missão, como se isso não fizesse parte do "cristianismo de libertação" ou como se "libertação" não tivesse muito a ver com salvação. (Provavelmente uma boa parte da responsabilidade disso cabe a teólogos, assessores e formadores).

A CF deste ano deve ajudar as comunidades a tomarem mais consciência da materialidade da vida e da íntima relação entre essa dimensão e a salvação. A Bíblia, diferentemente da filosofia grega que divide o ser humano em corpo X alma, nos ensina que, na criação, Deus insuflou nas narinas do ser humano "um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente" (Gn 2,7). Nós somos seres viventes e como tais lutamos contra a morte. E a imagem de "sopro de vida" nos lembra que a vida é o dom mais precioso que recebemos de Deus, que a vida vem de "dentro" de Deus (nosso Deus é Deus da Vida) e que, como sopro, a vida é algo frágil que precisa ser continuamente cuidada e preservada. Por isso, a Bíblia continua a narrativa dizendo que Deus fez brotar da terra "toda espécie de árvore formosa para ver e boas de comer". A vida humana é para ser vivida na formosura, beleza, e com boa comida partilhada.

É pela mesma razão que Jesus disse que veio para que todos nós tenhamos vida e a tenhamos em abundância (cf. Jo 1010), assim como nós celebramos na eucaristia a memória de Jesus, que viveu e lutou para que a mesa compartilhada fosse uma realidade para toda a humanidade e, por isso, deixou o seu corpo como comida e o seu sangue como bebida. E na missa católica apresentamos, na oferta, "o pão que é fruto da terra e do trabalho do homem".

A vida humana depende do trabalho e da "natureza", depende também de como funciona a economia. E salvar a vida contra as forças da morte e contra as mentiras (8º. mandamento, na versão da Igreja Católica e 9º na versão das Igrejas protestante) e idolatrias que justificam essas mortes em nome de falsos deuses das (2º/3o. mandamento) é a missão do cristianismo e das igrejas.

Se perdermos de vista a dimensão material-econômica da vida, perdemos de vista o ser humano real e concreto e, assim, perdemos o núcleo da missão cristã e o que faz valer a pena sermos cristãos hoje, apesar de tudo. (No próximo artigo, o aspecto teológico-espiritual da economia).

(Autor, entre outros, de "Se Deus existe, por que há pobreza?", Ed., Reflexão).

* Professor de pós-graduação em Ciências da Religião

Fonte: Adital

Intenção Missionária de fevereiro de 2010

"Para que a Igreja, consciente de sua identidade missionária, se esforce em seguir fielmente Cristo e proclamar o seu Evangelho a todos os povos"

Na intenção de oração confiada pelo papa ao apostolado da oração para o mês de fevereiro, podemos citar três aspectos importantes.

O primeiro aspecto se refere à identidade missionária da Igreja. São conhecidas as palavras de Paulo VI que apresentou a Igreja como evangelizadora por excelência, que nasceu para evangelizar. Uma Igreja sem zelo missionário é uma Igreja que perdeu a sua identidade, que não sabem quem é. João Paulo II reiterou: "na história da Igreja, o impulso missionário sempre foi marcado por vitalidade, como a sua diminuição é sinal de crise de fé" (RM 1). É necessário reavivar esta consciência de uma missão ainda a ser realizada em muitas regiões da terra.

Um segundo aspecto da intenção missionária é representado pelo "esforço para seguir fielmente Cristo". Seguir Cristo significa viver perto Dele, viver unidos a Ele com a oração, os sacramentos e a caridade. Seguir Cristo significa ouvir e assimilar a sua Palavra, viver segundo o seu Evangelho: Dificilmente poderá ser anunciador de Cristo quem não o segue de perto e não se esforça para viver com Ele e como Ele. Esta fidelidade a Cristo se traduz em fidelidade aos ensinamentos de sua Igreja, de seu Magistério. "Quem ouve vocês, a mim escuta". Viver na fidelidade a Cristo significa viver segundo os valores do Evangelho: obediência ao Pai, distancia dos bens terrenos, castidade segundo a vocação específica de cada batizado. O compromisso da seqüela representa uma exigência contínua de conversão, de crescimento na identificação com Cristo. O autêntico amor por Cristo leva sempre a procurar ser a cada dia como Ele, a amar o que Ele ama, a rejeitar tudo o que Ele rejeita. Somente quem possui o fogo de amor de Cristo poderá anunciá-lo de forma convincente.

O terceiro aspecto diz respeito ao anúncio do Evangelho a todos os povos. Jesus Cristo é o enviado do Pai, o primeiro "missionário". Enviado aos homens "para que tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10,10) e "para dar testemunho da verdade" (Jo18,37). A verdade que Jesus testemunha é o amor de Deus pelos homens, e esta é a Boa Nova, o Evangelho que Cristo anuncia e que a Igreja é chamada a continuar a anunciar. "Ide a todo mundo...". O amor do Pai é universal, todos são chamados a conhecer este amor, a viver como filhos de Deus atingindo assim a sua plenitude como homens. A Igreja deve sempre se sentir solicitada pelo amor que impulsiona Deus a enviar seu Filho unigênito, o seu Filho amado, que "morrendo deu a vida pelo mundo".

Rezemos para que a Igreja sinta fortemente o peso da responsabilidade a ela confiada, diante de Deus e dos homens. Sejamos fiéis ao amor de Cristo para ser anunciadores humildes e corajosos do Evangelho. Como afirmou o Papa Bento XVI, "está em jogo a salvação eterna das pessoas". Maria, Mãe da Igreja, nos faça crescer sempre na fidelidade a Cristo e no generoso compromisso pela missão.

Fonte: www.fides.org

Haiti: Dia de orações

Organizações católicas e comunidade de Taizé recordam sofrimento causado pelo sismo de 12 de Janeiro

A Igreja Católica no Haiti, através da sua comissão episcopal Justiça e Paz, convida os fiéis de todo o mundo para um dia de oração pelo país, esta Sexta-feira, 12 de Fevereiro. Nesta data assinala-se um mês sobre o violento sismo que matou mais de 210 mil pessoas e deixou milhares de desalojados.

Também a Comunidade ecumênica de Taizé convida todos a rezar pelo povo do Haiti, sozinhos ou em grupo. A oração é promovida no dia 12 de cada mês, durante doze meses, depois do sismo que teve lugar a 12 de Janeiro. Em Lisboa, a igreja de São Nicolau (Baixa) associa-se a esta iniciativa.

O governo haitiano decretou 12 de Fevereiro como dia de luto nacional em memória das centenas de milhares de vítimas causadas pelo sismo de 12 de Janeiro, anunciou o ministro haitiano do Interior, Paul-Antoine Bien-Aimé. "O governo anunciou um mês de luto de 17 de Janeiro a 17 de Fevereiro, o dia 12 de Fevereiro é decretado como dia de luto nacional para permitir aos fiéis de todas as religiões prestar homenagem às vítimas", declarou Bien-Aimé, em conferência de imprensa.

Entretanto, a Cáritas Portuguesa anunciou que a sua campanha de ajuda ao Haiti recolheu até ao momento mais de 980 mil Euros.


Fonte: Agência Ecclesia
Local: Haiti

Brasil: Encontro Nacional de Coordenadores Estaduais da Juventude Missionária

De 12 a 15, será realizado na sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM), em Brasília, o 2° Encontro Nacional de Coordenadores Estaduais da Juventude Missionária.

Para ajudar na reflexão, foi escolhido como tema "Traços da Espiritualidade Missionária Juvenil", e como lema "Chamados e Enviados a Todos os Povos" (cf. Lc 4,18).

A programação do encontro contará com momentos de espiritualidade e formação missionárias, apresentação dos caminhos e trabalhos realizados pela Juventude Missionária em cada estado, avaliação dos encontros e materiais utilizados pelos jovens missionários, momentos de recreação e troca de experiências, entre outras atividades. Também serão escolhidas as canções, enviadas através do concurso de músicas, que vão compor o primeiro CD nacional da Juventude Missionária.

"A Juventude Missionária já é realidade em todo o Brasil. Este encontro vem para reforçar os laços entre os coordenadores estaduais e junto às POM, além de ser um momento de reflexão, avaliação e planejamento da caminhada", afirma Rodrigo Alves, representante da Juventude Missionária de SP.

Outras informações no blog da Juventude Missionária: http://jmissionaria.blogspot.com.


Fonte: CNBB
Local: Brasil

África do Sul: Nelson Mandela, há 20 anos deixava prisão para enterrar racismo institucional

Há 20 anos, "Nelson" Rolihlahla Mandela deixou a prisão Victor Verster caminhando, ao lado de Winie Madikizela, sua esposa na época. Livre em 1990, aos 72 anos, ele havia passado os últimos 27 atrás das grades por ousar a se opor ao regime racista que dominava a África do Sul. Um mar de pessoas o aguardava nas ruas para dar início finalmente à edificação da democracia sul-africana.

Mandela é filho do conselheiro do chefe máximo do vilarejo de Qunu (atual província do Cabo Oriental), onde nasceu. Aos sete anos, tornou-se o primeiro membro da família a frequentar a escola, onde lhe foi dado o nome inglês "Nelson". Aos 16 anos, seguiu para o Instituto Clarkebury, na África do Sul, onde estudou cultura ocidental.

Durante as eleiçãos do país em 1999, Mandela participou de diversos comícios ao lado de seu sucessor, Thabo Mbeki, sempre ovacionado pela população sul-africana.

Militância

Ao final do primeiro ano do curso de Direito na Universidade de Fort Hare, Mandela se envolveu com o movimento estudantil, num boicote contra as políticas universitárias e foi expulso da universidade. Ali iniciou sua militância.
A partir de então se envolveu na oposição ao regime do apartheid, que negava aos negros (maioria da população), mestiços e indianos (uma expressiva colônia de imigrantes) direitos políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano em 1942, e dois anos depois fundou com Walter Sisulu e Oliver Tambou (um de seus melhores amigos), entre outros, a Liga Jovem do CNA.

Depois da eleição de 1948 dar a vitória aos afrikaners (Partido Nacional), que apoiavam a política de segregação racial, Mandela tornou-se mais ativo no CNA, tomando parte do Congresso do Povo (1955) que divulgou a Carta da Liberdade - documento contendo um programa fundamental para a causa anti-apartheid.
Comprometido de início apenas com atos não-violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville, em março de 1960, quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, matando 69 pessoas e ferindo 180. Em 1961 fundou a ala armada do CNA - Umkhonto we Sizwe (a Lança da Nação) para combater a discriminação do apartheid.

20 anos depois, a África do Sul ainda luta
Vinte anos depois da libertação de Nelson Mandela, a África do Sul é uma democracia vibrante, mas ainda tem milhões de pessoas vivendo na pobreza e buscando uma liderança capaz de confrontar os problemas econômicos. A libertação de Mandela em 11 de fevereiro de 1990, após 27 anos nas prisões do apartheid, colocou em marcha uma transformação política que culminou com a história eleição multirracial de 1994 e com a posse do próprio Mandela como primeiro presidente negro do país. Alguns críticos dizem que o legado de Mandela foi destruído por causa de incidentes como o afastamento do sucessor dele, Thabo Mbeki, do comando do partido CNA e do recente escândalo sexual envolvendo o atual presidente do país, Jacob Zuma.

Prisão

Acusado de crimes capitais no julgamento de Rivonia, em 1963, a declaração que deu, no banco dos réus, foi sua afirmação de posição política: "Tenho defendido o ideal de uma sociedade democrática e livre na qual todas as pessoas convivam em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual espero viver e que espero alcançar. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer". Em 1964 Mandela foi condenado à prisão perpétua.

No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou o lema das campanhas anti-apartheid em vários países.
Durante os anos 1970, ele recusou uma revisão da pena e, em 1985, não aceitou a liberdade condicional em troca de não incentivar a luta armada. Mandela continuou na prisão até fevereiro de 1990, quando foi libertado em 11 de fevereiro pelo presidente Frederik Willem de Klerk, que também revogou a proibição do CNA e de outros movimentos de libertação.

Como presidente do CNA (de julho de 1991 a dezembro de 1997) e primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1994 a junho de 1999), Mandela comandou a transição do regime racista, o apartheid, ganhando respeito internacional.

Em 1999, Mandela conseguiu eleger o sucessor, Thabo Mbeki, que posteriormente foi obrigado a deixar a Presidência depois de uma manobra política do seu maior rival dentro do CNA, Jacob Zuma. Casamentos, separações e aposentadoria Mandela casou-se três vezes. A primeira esposa de Mandela foi Evelyn Ntoko Mase, de quem se divorciou em 1957 após 13 anos de casamento. Depois casou-se com Winie Madikizela, e com ela ficou 38 anos, divorciando-se em 1996, com as divergências políticas entre o casal vindo a público. No seu 80º aniversário, Mandela casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente moçambicano.

Depois de deixar a presidência, Mandela passou a dedicar suas forças ao combate à crise da Aids na África do Sul, levantando milhões de dólares para combater a doença. Seu uníco filho morreu vítima da doença em 2005.
Ainda fora da Presidência, Mandela ganhou uma série de títulos e homenagens, como a Ordem de St. John, da rainha da Inglaterra, Elizabeth 2ª., a medalha presidencial da Liberdade, do então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, o Bharat Ratna (a distinção mais alta da Índia), a Ordem do Canadá, dentre outros. Apesar de ter ganho a condecoração de Bush, Mandela realizou uma série de pronunciamentos, em 2003, em que atacava a política externa do presidente americano.

Em junho de 2004, aos 85 anos, Mandela anunciou que se retiraria da vida pública. Mas a militância continuou. Em 2007, comemorou o 89° aniversário criando um grupo internacional de estadistas idosos e altamente respeitados, incluindo seus colegas Prêmios Nobel da Paz Desmond Tutu e o ex-presidente americano Jimmy Carter, para combater problemas mundiais que incluem as mudanças climáticas, o combate à Aids e à pobreza. A comemoração de seu aniversário de 90 anos foi um ato público com shows, que ocorreu em Londres, em julho de 2008, e contou com a presença de artistas e celebridades engajadas nessas lutas.

Em 2009, com aparência frágil, o ex-presidente sul-africano compareceu a um comício eleitoral do CNA para ajudar a eleger Jacob Zuma, atual presidente do país.

Fonte: Uol notícias
Local: África do Sul

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Cáritas arrecada três milhões de reais e manda 15 mil toneladas de alimentos aos desabrigados no Haiti

Ao longo desta semana, chegará ao Haiti um comboio naval de seis navios fretados do México pela rede Cáritas para transportar até a ilha 15 mil toneladas de ajuda humanitária: alimentos, água potável e provisões médicas.

O “Papanlapou”, primeiro dos navios que chegou a Porto Príncipe, carrega duas mil toneladas de arroz, feijão, leite pasteurizado e kits de produtos sanitários.

Toda esta ajuda será distribuída imediatamente entre os atingidos que estão sendo atendidos pela rede Cáritas dentro do plano de resposta à emergência, no valor de 31 milhões de euros destinados à Cáritas Haiti para prestar ajuda a 200 mil pessoas durante dois meses.

A ajuda proporcionada pela Cáritas aos atingidos pelo terremoto inclui também materiais de abrigo e barracas, assim como acompanhamento psicossocial e assistência cirúrgica de urgência.

Também esta semana se distribuirá pelo Haiti, por intermédio da Cáritas americana, uma equipe da Universidade de Maryland especializada em tratamento médico a vítimas de desastres e cujos membros se renovarão semanalmente, dentro de um programa de ação de seis meses de duração.

A prioridade máxima desta equipe será realizar, nos próximos dias, a intervenção cirúrgica de 16 casos especialmente delicados.
Doe você também

No Brasil, a Cáritas Brasileira e a CNBB, através da Campanha SOS Haiti, já arrecadou mais de R$ 3 milhões de reais. Deste montante, R$ 1 milhão já foi repassado.

As doações em dinheiro podem ser feitas nas seguintes contas bancárias:

- Banco do Brasil - Agência: 3475-4; Conta Corrente: 23.969-0;
- Caixa Econômica Federal - OP: 003; Agência: 1041; Conta Corrente: 1132-1;
- Banco Bradesco - Agência: 0606; Conta Corrente: 70.000-2.
CNPJ da Cáritas Brasileira:  33.654.419/0001-16

Fonte: CNBB
Local: São Paulo- SP

Brasil: Cidade da Amazônia poderá sumir do mapa

Altamira, no Pará, é o maior município do Brasil e do mundo em extensão territorial. Tem uma área de 161.584,9 km². Se Altamira fosse um país seria o 91º mais extenso do mundo, maior que a Grécia e o Nepal. Mas tudo isso poderá sumir do mapa em pouco tempo para ceder lugar a uma usina hidrelétrica - a de Belo Monte, no rio Xingu. Na semana passada, o Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) expediu licença prévia para a construção da gigantesca obra.

O alerta é do bispo prelado da Prelazia Territorial do Xingu, Dom Erwin Kräutler, presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), durante um encontro recente com a direção do IBAMA. O prelado e as populações da área, particularmente os índios, são contrários à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

A população atual de Altamira é de pouco mais de 110 mil habitantes. Situado a 740km de Belém (capital do Pará), Altamira tem seu vasto território cortado de norte a sul pelo rio Xingu.

Segundo Dom Kräutler, os habitantes de Altamira - os índios, a população ribeirinha - assim como o Parque Indígena do Xingu serão prejudicados com a obra. "Não acredito que seja possível combinar, de um lado, a destruição de significativa de parte do rio Xingu, e de outro, o povo de Altamira e a construção dessa hidrelétrica" - disse o bispo.

Na opinião do bispo, a obra da Usina de Belo Monte propiciará um grande fluxo migratório para a região. Tal situação causará enormes danos àquela área, "uma vez que - argumenta - os municípios da região do Xingu não estão preparados para suportar um aumento populacional de tais dimensões".

Dom Erwin Kräutler conta que algumas cidades já começaram a sofrer com o fenômeno. É o caso, segundo ele, da cidade de Anapu, que está recebendo várias famílias, atraídas pela perspectivas de empregos com a construção da hidrelétrica.

O bispo anunciou que o CIMI entrará com uma ação, nos próximos dias, questionando a licença prévia expedida pelo IBAMA. Na prática, a licença é a sinalização de que a obra poderá ser construída como deseja o governo federal. "Há coisas na licença - diz Dom Erwin Kräutler - que não aceitamos e, por isso, vamos utilizar os canais legais da Constituição, entre os quais o Ministério Público, para questionar aquilo com que não concordamos."

O IBAMA expediu a licença, mas estabeleceu algumas condições, entre as quais questões relacionadas à qualidade da água, preservação da fauna e da flora, saneamento básico, compensações sociais e recuperação de áreas já degradadas. A Usina de Belo Monte terá capacidade instalada de 11.233 MegaWatts, e contará com dois reservatórios numa área total de 516Km2.

O presidente do IBAMA, Roberto Messias, garantiu que manterá um diálogo permanente com as comunidades que serão afetadas pela construção da hidrelétrica, mas também deixou evidente que, mesmo com a pressão, o governo Lula não recuará na construção da obra.


Fonte: Rádio Vaticano
Local: São Paulo (SP)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Diálogo entre culturas exige construção política

"A construção coletiva e o espaço de trocas nem sempre são sinônimos de acordos e da falta de tensões. É uma atitude, uma disposição e não um resultado. Acontecem na sociedade em meio a  tensões, conflitos e jogos de poder", disse o coordenador acadêmico do Mutirão Latino Americano e Caribenho de Comunicação, Washington Uranga, na conferência principal deste sábado, dia 06.

Jaime C. Patias Washington Uranga durante conferência Desenvolvendo o tema "Comunicação no diálogo das culturas", o professor Uranga afirmou que convivemos com "perspectivas diferentes, em que cada um observa, interpreta e age a partir de sua identidade cultural. O diálogo entre culturas exige uma tarefa de construção política, uma relação entre atores que assegura direitos e constrói condições para o diálogo", esclareceu Uranga. Para ele, precisamos ter uma postura aberta à escuta sem renunciarmos à identidade e à defesa das próprias ideias.

De acordo com Uranga, é necessário pensar o indivíduo em sua subjetividade como parte da construção da cultura, não existindo diálogo quando ocorre qualquer tipo de exclusão ou de marginalização pelo outro. Para tanto, é necessário construir condições e lutar pela garantia dos direitos humanos, tornando-nos "responsáveis uns pelos outros", afirmou o jornalista fazendo o convite para que todos pensem em pequenas mudanças, de modo a caminhar e observar cada passo.

O professor citou tarefas que podem ser assumidas por todos a partir da perspectiva de direitos humanos, entre elas, criar e promover observatórios e auditorias de comunicação, influenciando na qualidade da comunicação, dos produtos culturais e para melhorar a agenda pública.

A conferência gerou participações provocativas da plateia, a exemplo da pergunta sobre como agir diante de situações em que é o próprio Estado quem desrespeita os direitos humanos. Uranga respondeu que o poder do Estado vem de um processo de delegação e quando há situação de opressão, "é uma tarefa política construir a liberdade, podendo ser pacífica ou não". O conferencista lembrou a existência de mártires na causa de militância política e cultural.

O Muticom teve início dia 03 e encerrará suas atividades no domingo, dia 7, em Porto Alegre, RS.

Fonte: Revista Missões - Cecília de Paiva

Mutirão aprova Carta de Porto Alegre

Somos comunicadores e comunicadoras solidários com nossos povos e integrados plenamente no seu caminhar. Partilhamos os sofrimentos, as crises, as alegrias e as esperanças de nossas irmãs e irmãos. Por esse motivo, e ainda em meio à atual crise civilizatória, que se expressa, entre outros fatores, na mundialização das economias e na livre circulação de mercadorias e capitais especulativos, nos atrevemos a refletir e sonhar, alimentando a utopia e a esperança.

Somos comunicadores e comunicadoras, pesquisadores, professores, jornalistas e estudantes da América Latina e do Caribe, reunidos em Porto Alegre (Brasil) de 3 a 7 de fevereiro de 2010, no Mutirão de Comunicação, no qual fomos convidados para analisar os “Processos de comunicação e cultura solidária”.

O Mutirão propiciou o intercâmbio de experiências, de saberes e de comunhão em Jesus Cristo entre comunicadores e comunicadoras com diferentes trajetórias pessoais, profissionais, políticas, religiosas, culturais, unidos no compromisso e na responsabilidade comum com os povos da região que lutam pela dignidade, pela justiça e na defesa de uma democracia que seja capaz de garantir a vigência de seus direitos econômicos, políticos, sociais e culturais.

Esta carta traduz nossos sonhos de futuro apoiados no compromisso político de concretizar uma utopia construída sobre a rica bagagem cultural e religiosa acumulada ao longo dos anos, que representa uma enorme riqueza de nossos povos e nossas culturas, especialmente indígenas, negros e migrantes, constituindo uma herança tantas vezes desprezada. Este rico legado, somado à vitalidade dos movimentos sociais, habilita o surgimento de atores que têm “direito a ter direito” e são os forjadores de nossa diversidade cultural.

Com Dom Helder Câmara dizemos que “quando sonhamos sozinhos , é apenas um sonho; quando sonhamos juntos é o começo de uma nova realidade” (Mensagem de Natal, 1992).

Por isso fazemos essa convocação para a ação que, sem abandonar um olhar analítico e crítico sobre a realidade política, social, cultural, religiosa e comunicacional, busca a construção de uma nova cidadania comunicativa que contribua à plena vigência dos direitos humanos e das condições de uma vida digna.

Partilhando as incertezas naturais de quem está envolvido no processo histórico e social e sem pretender esgotar as propostas, mas com a firmeza de nossas convicções, saberes, experiências, sensibilidade e paixão, e inspirados e inspiradas pelo Evangelho de Jesus, sonhamos com:

1. Uma cidadania comunicacional que, no marco dos processos políticos e culturais, permita a participação criativa e protagônica das pessoas como forma de eliminar a concentração de poder de qualquer tipo para, assim, construir e consolidar novas democracias. Cidadania que não se pode pensar somente em termos jurídicos, mas também como uma atitude e uma condição associadas à reivindicação de ser reconhecido, de ter arte e parte nas decisões que afetam a vida em suas múltiplas dimensões, porque não há democracia política sem democracia comunicacional.

2. Uma palavra liberada de todo tipo de opressão e discriminação, para que se apropriem dela também os jovens e as jovens, os mais pobres e pequenos, como germe de uma cultura solidária.

3. Políticas públicas de comunicação elaboradas a partir da ideia de que a comunicação é um direito humano e um serviço público e nas quais haja espaço tanto para a iniciativa privada comercial, como para os meios estatais, os meios públicos não-governamentais e os comunitários.

4. Uma sociedade civil mobilizada para incidir politicamente na busca de uma comunicação livre, socialmente responsável, justa e participativa.

5. Cidadãos, comunicadores e atores sociais preparados para manter e vigiar práticas comunicativas democráticas, participativas, inclusivas e apoiadas em uma nova perspectiva integral de direito à comunicação.

6. Movimentos sociais, organizações populares, igrejas e instituições que se apropriem e incorporem, nas suas práticas comunicativas, os cenários e os processos das tecnologias da informação e as novas linguagens a fim de ampliar seu horizonte comunicacional e contribuir para a eliminação da brecha informativa e digital.

7. Responsáveis da gestão do Estado capazes de levar adiante políticas públicas e estratégias de comunicação destinadas a assegurar o direito à comunicação, através de ações pertinentes e efetivas, que eliminem as diferenças e as desigualdades que hoje existem em matéria de produção, acesso e circulação de todo tipo de bens culturais.

8. Cristãos comprometidos e organizados que, a partir da sua fé, tenham uma presença ativa e transformadora no campo da comunicação, incorporando as novas tecnologias no espírito e nas linhas de ação dessa carta.

Sonhamos, enfim, com comunicadores e comunicadoras:

• cuja prática profissional seja marcada pela vivência de uma cultura solidária, por critérios éticos e por uma vida coerente com esses princípios;

• que se reconheçam, acima de tudo, servidores do direito dos cidadãos a receber e emitir informação e opinião; que não se subordinem aos interesses e às pressões do poder político ou econômico porque estão comprometidos com a cidadania comunicacional;

• que estejam junto aos empobrecidos e incorporem seu olhar;

• que impulsionem o diálogo para enfrentar as contradições, inevitáveis em qualquer sociedade, com o objetivo de alcançar a paz e a justiça;

• que não se preocupem somente em ser plurais, mas igualmente em valorizar as diferenças surgidas no caminho da busca da verdade;

• que suscitem solidariedade a partir dos processos de comunicação;

• que saibam escutar e estar atentos especialmente ao clamor que emerge do murmúrio dos silenciados e, assim, contribuir para a visibilidade dos invisíveis de hoje.
 
Fonte: Site Mutirão
Local:Porto Alegre (RS)