quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Curso de Missiologia aborda aspectos históricos e culturais da missão

O Centro Cultural Missionário (CCM) em parceria com o Instituto Superior de Filosofia Berthier (IFIBE) realiza em Brasília o 2º módulo do Curso de Extensão em Missiologia e Animação Pastoral, que conta com a participação de 36 pessoas. Dividido em três módulos, o curso é destinado a leigos, religiosos, diáconos e presbíteros engajados na animação missionária. A formação que teve início no dia 6 de fevereiro segue até o próximo dia 16.

Durante o curso o tema missão está sendo tratado sob diferentes perspectivas: fundamental, contextual e prática. Ao todo são nove tipos de abordagens: bíblica, histórica, teológica, antropológica, ecumênica e ética; além de pedagógica-catequética, administrativa-gerencial e metodológica-projetual.

"Este é o módulo da comunidade e contempla a missão da Igreja ao longo dos séculos, a missão da Igreja de outras religiões, a missão de formar novas comunidades", explicou o diretor do CCM, padre Estêvão Raschietti.

Para o professor e diretor geral do IFIBE, o padre doutor José André da Costa, que abordou a temática "dialética da colonização", a reação dos participantes tem sido positiva no sentido de compreender como devem ser planejadas as atividades missionárias. "Para evangelizar é preciso ter metodologia, um modelo de filosofia e teologia, ou seja, uma cosmovisão ou uma antropologia", disse o professor.

O diretor do IFIBE tratou especificamente do processo de colonização e a conquista espiritual na América Latina, com o objetivo de decodificar a estratégia geopolítica que resultou no projeto de Portugal e Espanha de vários países da América Latina, inclusive o Brasil. "A América Latina num certo sentido é uma memória viva, mas é um continente ainda banhado de muito sangue e suor. É preciso fazer justiça às vítimas que não tiveram vez nem voz", destacou André.

O assessor da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, Setor CEBs, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do CCM, professor Sérgio Coutinho, abordou os aspectos históricos da missão. Como o professor André, seu objetivo foi situar os cursistas sobre a importância de entender historicamente a missão desencadeada ao longo dos séculos na América Latina, para que nos dias atuais os missionários possam saber desenvolver a missão junto às comunidades. "Procuramos por meio do curso problematizar, rememorar, fazer eles refletirem a nossa prática missionária hoje dentro desse contexto de missões e tudo que o Documento de Aparecida e as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) vêm provocando", sintetizou.

Tatiane Cristina Guizzi, que é leiga e atua na arquidiocese de São José do Rio Preto (SP), está contente com o curso. A visão histórica e os aspectos da colonização na América Latina são fundamentais para entender o outro e a diversidade cultural com a qual os missionários se deparam todos os dias. "Esse curso vem somar para que nós, em nossas dioceses, possamos nos abrir para o ardor missionário, e nos mostrar como é importante a unidade dos cristãos, sem distinguir raças e culturas e o que mais prevalece é levar o anúncio, o amor e a boa nova a todos os povos. Mostrar outra realidade que não é muito vista: se doar pela causa do outro. Isso é o mais importante", disse.

"Através desse curso nós percebemos o quanto ainda devemos à evangelização", sublinhou o diácono permanente da arquidiocese de Natal (RN), Haroldo Lima. "A riqueza desse curso é nos deixar ainda mais com os pés no chão e o ardor missionário mais forte nessa caminhada. A dinâmica da missão depende do conhecimento que temos dela e da realidade de cada povo para ser desenvolvida. No Brasil, por exemplo, que prevalece um povo miscigenado, é indispensável que saibamos atuar e trabalhar diretamente com essas diferenças", completou.

O terceiro e último módulo do curso, que vai tratar do comprometimento da Igreja com o Reino, acontece em maio do próximo ano. Segundo padre Estêvão, essa parte vai contemplar a teologia e um olhar sobre a questão ética.

 

Fonte: Fúlvio Costa - POM