quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A Diocese de Kaohsiung reza pela unidade dos cristãos, em comunhão com a Igreja Universal

Em 18 de janeiro, também na diocese de Kaohsiung de Taiwan tem início a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, em comunhão com a Igreja Universal. Dom Peter Liu, Arcebispo da Diocese de Kaohsiung, convidou todos os decanatos, as paróquias e os fiéis a participar ativamente da Semana. Segundo as informações enviadas à Agência Fides, em 22 de janeiro se realizará na diocese um "Encontro de Oração feito pelos cristãos em ação de graças" que reunirá a comunidade católica e a comunidade protestante local, sempre sobre o tema comum indicado para este ano: "Unidos no Ensinamento dos Apóstolos, na Comunhão, no partir o pão e na oração (cf. Atos dos Apóstolos 2, 42). O Arcebispo Liu exortou os decanatos a enriquecerem a celebração desta semana com trechos das Sagradas Escrituras, na homilia e na oração indicada pela Conferência Episcopal Regional de Taiwan ligada ao tema da unidade dos cristãos. Além disso, "podem convidar as comunidades de outras confissões cristãs para rezar, dialogar e trocar opiniões sobre a unidade, por um futuro de colaboração no campo da evangelização". Enfim, Dom Peter Liu convida todos a dar um "testemunho eloqüente" da unidade cristã. 

Fonte: Agência Fides
Local: Kaohsiung - Ásia



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

"Tragédias causadas pelas chuvas podem aumentar se novo Código Florestal for aprovado"

As tragédias causadas pelas chuvas que atingem o Brasil podem aumentar se forem aprovadas as propostas de mudanças no Código Florestal. A afirmação é do engenheiro florestal e integrante da Via Campesina, Luiz Zarref. Entre os pontos polêmicos, o texto que propõe mudanças no atual Código, de autoria do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), deixa de considerar topos de morros como áreas de preservação permanente. Esses locais foram os mais afetados por deslizamentos de terra no Rio de Janeiro.

O Projeto já foi aprovado em uma Comissão Especial e está pronto para ser votado pelo Plenário. Para Zarref, a proposta de redução de 30 para 15 metros das áreas de preservação nas margens de rios provocará erosão, ampliando os alagamentos.

"Sem essa área, rapidamente uma trompa d"água se forma. Isso porque a chuva cai em uma área que está desprotegida, fato que aumenta rapidamente o nível do rio. Essas quantidades anormais de água crescem muito mais rapidamente, de que quanto se tem uma área protegida, como está no Código atual.

Ainda segundo Zarref, a tragédia que até o momento já vitimou quase 700 pessoas no Rio é um reflexo da não preservação das áreas com vegetação.

"O que aconteceu no Rio de Janeiro não é só por causa da degradação do topo do morro, de fato foi um nível de chuva muito alto. Porém, com certeza, foi agravado pela devastação, principalmente nas áreas de preservação permanente. A natureza que antes comportava até mesmo uma tempestade, hoje não comporta mais.

Zarref também enfatiza que mesmo com as áreas ocupadas irregularmente, há estudos que mostram que ainda existem soluções para o problema, sem a necessidade de remoção das famílias.

"Em algumas áreas você pode fazer trabalhos de drenagem, galerias pluviais ou até mesmo recuperação florestal. Agora existem áreas de instabilidade geológicas que de fato vai ter que ser construído juntamente com a comunidade um reassentamento das famílias. Essas famílias foram empurradas historicamente para essas regiões. A maioria dessas pessoas são pobres. Então tem que haver uma solução que respeite esse processo histórico.

Fonte: www.radioagencianp.com.br - Danilo Augusto

Mensagem do papa Bento XVI para o Dia Mundial do Enfermo 2011

O papa Bento XVI divulgou hoje, 18, a mensagem do Dia Mundial do Enfermo 2011, que é celebrado no dia 11 de fevereiro. Nesta 19ª edição, o papa diz que é a ocasião propícia para “refletir sobre o ministério do sofrimento e, sobretudo, para tornar as nossas comunidades e a sociedade civil mais sensível aos irmãos e irmãs doentes”.

Bento XVI cita a Carta Encíclica Spe Salvi quando afirma que “a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade. Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem não é capaz de contribuir”.

O papa manda um recado aos participantes da Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá em agosto, em Madri (ESP), afirmando que com frequência a Paixão e a Cruz de Jesus causam medo, porque parecem ser a negação da vida. “Na realidade, é exatamente o contrário! A Cruz é o ‘sim’ de Deus ao homem, a expressão mais elevada e intensa do seu amor e a fonte da qual brota a vida eterna. Do Coração trespassado de Jesus brotou esta vida divina. Só Ele é capaz de libertar o mundo do mal e de fazer crescer o seu Reino de justiça, de paz e de amor ao qual todos aspiramos. A todos vós jovens, doentes e sadios, repito o convite a criar pontes de amor e solidariedade, para que ninguém se sinta sozinho, mas próximo de Deus e parte da grande família dos seus filhos”.

Leia abaixo a íntegra da mensagem do papa Bento XVI para o 19º Dia Mundial do Doente.
Mensagem do papa Bento XVI para o 19º Dia Mundial do Doente


«Pelas suas chagas fostes curados» (1 Pd 2, 24).

Queridos Irmãos e Irmãs!

Todos os anos, na memória da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, que se celebra no dia 11 de fevereiro, a Igreja propõe o Dia Mundial do Doente. Esta circunstância, como quis o venerável João Paulo II, torna-se a ocasião propícia para refletir sobre o mistério do sofrimento e, sobretudo, para tornar as nossas comunidades e a sociedade civil mais sensíveis aos irmãos e irmãs doentes. Se todos os homens são nossos irmãos, aquele que é débil, sofredor ou necessitado de cuidado deve estar mais no centro da nossa atenção, para que nenhum deles se sinta esquecido ou marginalizado; com efeito “a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade. Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem não é capaz de contribuir, mediante a compaixão, para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido mesmo interiormente é uma sociedade cruel e desumana” (Carta enc. Spe Salvi, 38).

As iniciativas que serão promovidas nas diversas Dioceses, por ocasião deste Dia, sirvam de estímulo para tornar cada vez mais eficaz o cuidado para com os sofredores, também na perspectiva da celebração de modo solene, que terá lugar em 2013, no Santuário mariano de Altötting, na Alemanha.

1. Tenho ainda no coração o momento em que, durante a visita pastoral a Turim, pude deter-me em reflexão e oração diante do Santo Sudário, diante daquele rosto sofredor, que nos convida a meditar sobre Aquele que carregou sobre si a paixão do homem de todos os tempos e lugares, inclusive os nossos sofrimentos, as nossas dificuldades e os nossos pecados. Quantos fieis, no curso da história, passaram diante daquele tecido sepulcral, que envolveu o corpo de um homem crucificado, que corresponde em tudo ao que os Evangelhos nos transmitem sobre a paixão e a morte de Jesus! Contemplá-lo é um convite a refletir sobre quanto escreve São Pedro: “Pelas suas chagas fostes curados“ (1 Pd 2, 24). O Filho de Deus sofreu, morreu, mas ressuscitou, e exatamente por isso aquelas chagas tornam-se o sinal da nossa redenção, do perdão e da reconciliação com o Pai; tornam-se, contudo, também um banco de prova para a fé dos discípulos e para a nossa fé: todas as vezes que o Senhor fala da sua paixão e morte, eles não compreendem, rejeitam, opõem-se. Para eles, como para nós, o sofrimento permanece sempre carregado de mistério, difícil de aceitar e suportar. Os dois discípulos de Emaús caminham tristes, devido aos acontecimentos daqueles dias em Jerusalém, e só quando o Ressuscitado percorre a estrada com eles, se abrem a uma visão nova (cf. Lc 24, 13-31). Também o apóstolo Tomé mostra a dificuldade em crer na via da paixão redentora: “Se eu não vir o sinal dos cravos nas suas mãos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei” (Jo 20, 25). Mas diante de Cristo que mostra as suas chagas, a sua resposta transforma-se numa comovedora profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20, 28). O que antes era um obstáculo intransponível, porque sinal da aparente falência de Jesus torna-se, no encontro com o Ressuscitado, a prova de um amor vitorioso: “Somente um Deus que nos ama a ponto de carregar sobre si as nossas feridas e a nossa dor, sobretudo a dor inocente, é digno de fé” (Mensagem Urbi et Orbi, Páscoa de 2007).

2. Queridos doentes e sofredores, é justamente através das chagas de Cristo que podemos ver, com olhos de esperança, todos os males que afligem a humanidade. Ressuscitando, o Senhor não tirou o sofrimento e o mal do mundo, mas extirpou-os pela raiz. À prepotência do Mal opôs a onipotência do seu Amor. Indicou-nos então, que o caminho da paz e da alegria é o Amor: “Como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros” (Jo 13, 34). Cristo, vencedor da morte, está vivo no meio de nós E enquanto com São Tomé dizemos também: “Meu Senhor e meu Deus”, seguimos o nosso Mestre na disponibilidade a prodigalizar a vida pelos nossos irmãos (cf. 1 Jo 3, 16), tornando-nos mensageiros de uma alegria que não teme a dor, a alegria da Ressurreição.

São Bernardo afirma: “Deus não pode padecer, mas pode compadecer”. Deus, a Verdade e o Amor em pessoa, quis sofrer por nós e conosco; fez-se homem para poder compadecer com o homem, de modo real, em carne e sangue. Em cada sofrimento humano, portanto, entrou Aquele que partilha o sofrimento e a suporta; em cada sofrimento difunde-se a con-solatio, a consolação do amor partícipe de Deus para fazer surgir à estrela da esperança (cf. Carta enc. Spe salvi, 39).

A vós, queridos irmãos e irmãs, repito esta mensagem, para que sejais suas testemunhas através do vosso sofrimento, da vossa vida e da vossa fé.

3. Considerando o encontro de Madrid, no mês de Agosto de 2011, para a Jornada Mundial da Juventude, gostaria de dirigir também um pensamento especial aos jovens, especialmente aos que vivem a experiência da doença. Com frequência a Paixão e a Cruz de Jesus causam medo, porque parecem ser a negação da vida. Na realidade, é exatamente o contrário! A Cruz é o “sim” de Deus ao homem, a expressão mais elevada e intensa do seu amor e a fonte da qual brota a vida eterna. Do Coração trespassado de Jesus brotou esta vida divina. Só Ele é capaz de libertar o mundo do mal e de fazer crescer o seu Reino de justiça, de paz e de amor ao qual todos aspiramos (cf. Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude de 2011, 3). Queridos jovens, aprendei a “ver” e a “encontrar” Jesus na Eucaristia, onde Ele está presente de modo real para nós, até se fazer alimento para o caminho, mas sabei reconhecê-lo e servi-lo também nos pobres, nos doentes, nos irmãos sofredores e em dificuldade, que precisam da vossa ajuda (cf. ibid., 4).

A todos vós jovens, doentes e sadios, repito o convite a criar pontes de amor e solidariedade, para que ninguém se sinta sozinho, mas próximo de Deus e parte da grande família dos seus filhos (cf. Audiência geral, 15 de Novembro de 2006).

4. Ao contemplar as chagas de Jesus o nosso olhar dirige-se ao seu Sacratíssimo Coração, no qual se manifesta em sumo grau o amor de Deus. O Sagrado Coração é Cristo crucificado, com o lado aberto pela lança, do qual brotam sangue e água (cf. Jo 19, 34), “símbolo dos sacramentos da Igreja, para que todos os homens, atraídos pelo Coração do Salvador, bebam com alegria na fonte perene da salvação” (Missal Romano, Prefácio da Solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus). Especialmente vós, queridos doentes, sentis a proximidade deste Coração cheio de amor e bebeis com fé e alegria de tal fonte, rezando: “Água do lado de Cristo, lava-me. Paixão de Cristo, fortalece-me. Oh, bom Jesus, ouve-me. Nas tuas chagas, esconde-me” (Oração de Santo Inácio de Loyola).

5. Na conclusão desta minha Mensagem para o próximo Dia Mundial do Doente, desejo exprimir o meu afeto a todos e a cada um, sentindo-me partícipe dos sofrimentos e das esperanças que viveis quotidianamente em união com Cristo crucificado e ressuscitado, para que vos conceda a paz e a cura do coração. Juntamente com Ele ao vosso lado vigie a Virgem Maria, que invocamos com confiança como Saúde dos enfermos e Consoladora dos sofredores. Aos pés da Cruz realiza-se para Ela a profecia de Simeão: o seu Coração de Mãe é trespassado (cf. Lc 2, 35). Do abismo da sua dor, participação no sofrimento do Filho, Maria tornou-se capaz de assumir a nova missão: tornar-se a Mãe de Cristo nos seus membros. Na hora da Cruz, Jesus apresenta-lhe cada um dos seus discípulos, dizendo-lhe: «Eis o teu filho» (cf. Jo 19, 26-27). A compaixão materna para com o Filho torna-se compaixão materna para cada um de nós nos nossos sofrimentos quotidianos (cf. Homilia em Lourdes, 15 de Setembro de 2008).

Queridos irmãos e irmãs, neste Dia Mundial do Doente, exorto também as Autoridades a fim de que invistam cada vez mais energias em estruturas médicas que sirvam de ajuda e apoio aos sofredores, sobretudo aos mais pobres e necessitados e, dirigindo o meu pensamento a todas as Dioceses, transmito uma saudação afetuosa aos Bispos, aos sacerdotes, às pessoas consagradas, aos seminaristas, aos agentes no campo da saúde, aos voluntários e a todos os que se dedicam com amor a cuidar e aliviar as chagas de cada irmão e irmã doente, nos hospitais ou casas de cura, nas famílias: nos rostos dos doentes sabei ver sempre o Rosto dos rostos: o de Cristo.
A todos garanto a minha recordação na oração, enquanto concedo a cada um a especial Bênção Apostólica.

Vaticano, 21 de Novembro de 2010.

Papa Bento XVI

Ampliada Nacional reafirma missão e profetismo da Pastoral da Juventude

O último dia (15) da Ampliada Nacional da PJ realizada na cidade de Imperatriz, MA, iniciou inspirado na Mãe Maria que nos faz perceber na realidade o que é simples, possível e concreto. Os participantes reunidos desde o dia 8 de janeiro puderam reafirmar a exemplo de Maria o sim à vida, o sim à vida da juventude.

O período da manhã foi o momento de aprovação dos seis projetos nacionais: A Juventude Quer Viver, Teias da Comunicação, Mística e Construção, Caminhos de Esperança, Ajuri e Tecendo Relações. Sendo que o último é o mais novo dentro do conjunto de projetos da PJ. Foi também momento da plenária ouvir os candidatos a secretaria nacional: Francisco Crisóstomo - Thiesco (Norte 2) e Gabriel (leste 1).

Finalizando o período matinal os participantes estudaram em pequenos grupos o perfil, os critérios e as tarefas da Coordenação Nacional, Secretaria Nacional, Comissão Nacional de Assessores/as, representante no Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), coordenação da Campanha Nacional contra a violência e o extermínio de jovens e a representação na Comissão Colegiada do Setor Juventude da CNBB. Após o estudo, foram apresentadas em plenária as indicações dos grupos.

Terminada a tarefa de rever os serviços, os/as delegados/as foram convidados/as a reunirem-se por regionais e indicarem seis nomes para compor a Comissão Nacional de Assessores/as (CNA) do próximo triênio. A partir desse trabalho, a Coordenação Nacional (CN) e CNA atuais reuniram-se e finalizaram o processo de composição. Antes da aclamação da CNA, teve o momento de escolha do secretário nacional, em momento de profunda oração.

O óleo que unge os caminhantes, as flores que embelezam o caminho e os/as jovens discípulos/as missionários/as conduziram a Mãe Aparecida em todos os regionais e na votação dos/as 78 delegados/as presentes.

Hildete Emanuele, então secretaria nacional, fez a contagem dos votos acompanhada de Raquel Pulita (CNA) e de Ana Clara (Sul 1), chegando ao resultado de 37 votos para Gabriel Jaste e 41 votos para Francisco Crisóstomo - Thiesco. Logo em seguida, Hildete acolhe Thiesco, em gesto de beleza e unção, rogando a Mãe Aparecida que abençoe e interceda pelo trabalho a ser realizado frente à secretaria nacional da PJ e também agradece a disponibilidade de Gabriel. Hildete finaliza o momento agradecendo a CN e CNA, pelos três anos vividos em comunidade e amizade.

Num momento tão emocionante quanto outro, a juventude presente agradeceu a Hildete seu trabalho alegre e missionário, desbravador e ousado, assim como, a CNA presente, na pessoa de Raquel Pulita (Centro Oeste) e Renato Barbosa (Leste 2), entregando presentes, cartas, apresentando vídeos com imagens durante os três anos de serviço e também entregando uma bandeira com as mãos dos/as delegados/as, representando a juventude brasileira. Em seguida aclamou-se a nova CNA que nos próximos três anos será composta por: Alessandra Miranda (Centro Oeste), Pe. Wander Torres Costa (Leste 2), Ir. Joilson Toledo (Leste 2), Joaquim Alberto (Centro Oeste), Pe. Edson Thomassim (Sul 3) e Ir. Maria Couto (Norte 1). Tendo como assessor de transição, Renato Barbosa.

Finalizou-se o dia com a celebração eucarística de envio, presidida por dom Vilson Basso, bispo de Caxias/MA e referencial da juventude do regional Nordeste 5. Em sua homília, dom Vilson retomou os três medos da juventude: de morrer, de ficar desconectado e de sobrar, fazendo assim a ligação com os projetos nacionais assumidos nessa Ampliada Nacional. Destacando que o trabalho da Pastoral da Juventude é essencial para que a juventude brasileira possa ter vida, esteja conectada com o mundo e que possibilite a inclusão nos diversos cenários existentes. Ao final da celebração enviou os/as delegados/as para suas terras com a missão de anunciar a Boa Nova da vida da juventude e da Pastoral da Juventude, a Boa Nova de Jesus Cristo.

A Ampliada Nacional de Imperatriz foi com certeza um marco na história da Pastoral da Juventude, pela intensidade dos momentos vividos, sejam eles de oração, celebrações, trabalhos de grupos e assessorias temáticas. A sintonia dos presentes e o interesse em construir juntos foi com certeza algo que deu um tom a mais para a atividade. O trabalho de comunicação fortaleceu a sinergia com a juventude e a Igreja do Brasil, divulgando diariamente nos meios eclesiais e sociais os acontecimentos da Ampliada. Foram transmissões ao vivo de diversos momentos, divulgação de fotos e vídeos, elaboração de textos. A Ampliada Nacional recebeu centenas de mensagens vindas de todo o país, bispos, padres, religiosos/as, assessores/as, jovens, organizações eclesiais e sociais e também de pessoas fora do país que acompanharam o evento pela internet.

Em breve, será concluído o relatório da Ampliada e divulgado para os/as delegados/as e em nossos meios de comunicação, assim como os outros materiais elaborados durante a atividade, os projetos nacionais, vídeos com entrevistas e momentos do evento, áudio de assessorias e outras novidades.

Desta forma, a Pastoral da Juventude Nacional agradece a participação presencial e virtual de todos/as que fizeram a Ampliada Nacional de Imperatriz acontecer. Que agora possamos fazer ecoar a luta pela vida da juventude, com muita missão e profetismo, reafirmando que o desejo da PJ é a vida de nosso povo, a vida dos/as das jovens (Est 7,3).

Fonte: www.pj.org.br

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Igreja se mobiliza para ajudar vítimas das enchentes no Rio

Desde que tiveram início as enchentes na Região Serrana do Rio de janeiro, no domingo, 9, inúmeras dioceses no Brasil, inclusive a Cáritas Brasileira e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) começaram campanhas de mobilização para ajudar as vítimas. Segundo os números oficiais das prefeituras das cidades devastadas pelas chuvas, chegou a 647 o número de mortos na Região Serrana.

A CNBB juntamente com a Cáritas, deu início, no dia 12, à Campanha “SOS SUDESTE” com o objetivo de arrecadar dinheiro que será doado às regiões atingidas pelas chuvas. Ainda nesta segunda-feira, 17, serão divulgados os primeiros números da campanha.

mobilizcao03No dia 13, o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, confirmou que as dioceses de Petrópolis e Nova Friburgo, e também a Cáritas Metropolitana, estão se mobilizando para atender as vítimas das chuvas. Através da Cáritas arquidiocesana, a arquidiocese do Rio já enviou R$ 20 mil para as dioceses de Nova Friburgo e Petrópolis e uma tonelada de roupas para Teresópolis e arrecadou, até o momento, 105 toneladas de donativos. Além disso, foram enviadas na sexta-feira, 14, duas carretas de água a cada uma das dioceses e três caminhões de donativos.

 

Confira, abaixo, a relação de contas para o depósito de suas doações às vítimas das enchentes.

Para doações em dinheiro:

Campanha “SOS Sudeste” (CNBB e Cáritas Brasileira)
Caixa Econômica Federal (CEF)
Agência 1041 – OP. 003
Conta Corrente 1490-8

ou

Banco do Brasil
Agência 3475-4
Conta Corrente 32.000-5.

Campanha SOS Serra Petrópolis
Mitra Diocesana de Petrópolis,
Agência 401-4, Bradesco,
conta corrente 114134-1.

Cáritas da arquidiocese do Rio de Janeiro

Banco Bradesco
Agência 0814-1
Conta 48500-4

Cáritas da arquidiocese de São Paulo
Banco Itaú
Agência 7657
Conta Corrente 10.834-1

Arquidiocese de BH
Contribuição financeira:
Favorecido: Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política
Banco do Brasil - Agência: 3494-0 - Conta corrente: 26227-7

Entrega de donativos: alimentos, água, material de limpeza, material de higiene pessoal podem ser entregues na Rua Silva Jardim, 321 - Bairro Floresta (esquina de Rua Itajubá), de 9h às 16h, de segunda a sexta-feira. Informações pelos telefones: 3428-8046 e 3428.7943 ou e-mail: politicasocial@pucminas.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Arquidiocese de Olinda e Recife
Banco do Brasil
Agência 3612-9
Conta Corrente: 10.2011-0
Diocese de Foz do Iguaçu
Banco Sicredi - Ag. 710
Conta Corrente:15.463-9

Fonte: CNBB

Papa João Paulo II será beatificado em 1° de maio

Em 14 de janeiro deste ano, o Santo Padre, durante a audiência concedida ao Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, autorizou a Congregação a promulgar o decreto sobre o milagre atribuído à intercessão do Venerável Servo de Deus João Paulo II (Karol Wojtyla). Este ato conclui o processo que precede o Rito de Beatificação, que se realizará no Vaticano, em 1° de maio de 2011, II Domingo de Páscoa, da Divina Misericórdia, presidida pelo Sumo Pontífice Bento XVI

Fonte: Agência Fides

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Papa João Paulo II é escolhido padroeiro da Jornada Mundial da Juventude

O presidente do Pontifício Conselho para Leigos, cardeal Stanislaw Rylko anunciou nesta sexta-feira, 14 que o papa João Paulo II, após a beatificação no dia 1 de maio, será o novo padroeiro da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

O anúncio foi feito em Madri, Espanha, onde acontecerá a Jornada Mundial da Juventude entre os dias 16 e 21 de agosto deste ano.

“Estamos felizes de termos entre os nossos padroeiros também João Paulo II”, disse dom Ryłko. O anúncio da escolha do novo padroeiro foi anunciada após a segunda reunião preparatória com a participação de delegados de 84 países e 44 movimentos e associações de todo o mundo.
Jornada Mundial da Juventude

A Jornada Mundial da Juventude foi criada pelo papa João Paulo II em 1985 e aconteceu pela primeira vez em 1986, em Roma. Desde então, vem sendo feita, em média, a cada dois anos em diversos países e com temas propostos pelos papas, que marcam presença no evento.

“A esperança de um mundo melhor está numa juventude sadia, com valores, responsável e, acima de tudo, voltada para Deus e para o próximo", disse o papa João Paulo II em carta ao Cardeal Eduardo Francisco Pironio, na ocasião do Seminário sobre as Jornadas Mundiais da Juventude organizado na Polônia.

Durante a JMJ, jovens do mundo inteiro participam de shows, catequese, adoração, missas e palestras. Tudo isso em diversas línguas. Na última edição, que aconteceu em 2008, na Austrália, o evento reuniu mais de 1 milhão de jovens. Apesar de ser proposta pela Igreja Católica, é um convite à juventude mundial.

Fonte: CNBB

Cinco dias de encontro, espiritualidade e festa pra os 520 jovens de Vanimo

Concluiu-se na manhã de sábado, 15 de janeiro um grande encontro de jovens católicos na área costeira da Diocese de Vanimo, na sede do seminário menor São João Maria Vianney. Segundo informações recebidas pela Agência Fides, 520 jovens provenientes das 4 paróquias do litoral, acompanhados por seus párocos (que presidiram alternadamente as celebrações eucarísticas matutinas), viveram durante 5 dias uma experiência de vida comunitária marcada pela escuta da Palavra de Deus, pela oração e pela reflexão comum, orientados pelo Bispo de Vanimo, Dom Cesare Bonivento, pelo vigário geral, mons. Thomas Tomy, por padre Augustine e pela equipe do Centro diocesano pró-vida e de luta à AIDS.

Os jovens alegraram as noites com cantos, encenações e danças locais preparados e realizados por eles mesmos. Nesta circunstância, pela primeira vez, realizaram-se as Olimpíadas diocesanas da juventude. O sucesso do evento se deve ao trabalho desempenhado pelo comitê organizador, liderado pelo Bispo, e também à associação das mulheres católicas, que cuidaram da cozinha, preparando produtos da horta de várias aldeias. Os jovens pediram que se realizem outros eventos como este; e um comitê juvenil diocesano dará continuidade à iniciativa. Os jovens expressaram o especial desejo de uma formação permanente nos campos diocesano e paroquial.

Fonte: Agência Fides
Local: Vanimo - Papua Nova Guiné

Agenda escolar da União Européia omite o Natal e outras datas cristãs

A Comissão Européia lançou uma agenda escolar para o ano 2011-2012 em que omite todas as festas cristãs, inclusive o Natal, mas inclui datas importantes do calendário judeu e muçulmano.

A União Européia (UE) imprimiu três milhões de exemplares desta agenda que se distribui gratuitamente aos professores para que eles logo a repartam entre seus alunos. Para obtê-la basta solicitá-la.

Sobre o fato, a política francesa Christine Boutin, que também é ex-ministra e consultora do Pontifício Conselho para a Família, assinalou este 11 de janeiro que a agenda simplesmente descarta o cristianismo, "a religião praticada ou reconhecida como a formadora da ensambladura cultural de nosso 'velho' continente".

Para a também presidenta da Partida Cristião-democrata (PCD) na França, o cristianismo "simplesmente desapareceu das arcas da tecnocracia de Bruxelas (sede da UE) para cair nos limbos da ignorância coletiva".

Boutin denuncia também que esta agenda propõe "celebrar o Baisakhi-Day dos sikh, o Yom Kippour judeu, o Janmâshtami hindu, o Aïd-o-Kébir muçulmano, mas não o Natal".

Sobre este "inaceitável esquecimento" o PCD lançou uma petição à UE para que a agenda, em sua versão atual, não seja distribuída; e que a versão que seja entregue às crianças e jovens mencione explicitamente as datas cristãs.

Este grupo explica que "o papel da religião cristã na formação da Europa é um fato histórico inegável" que a UE não pode evitar pois isso seria "pretende instruir os jovens negando uma religião que contribuiu muito à sua construção e unidade".

Na petição também assinalam que "a religião cristã é primeira das religiões na Europa. É impensável por isso que seja negada pois reveste uma importância muito grande na vida de todos".

Fonte: ACI Digital
Local: Estrasburgo

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Demandas indígenas não foram priorizadas nos últimos oito anos

As expectativas dos povos indígenas foram mais que frustradas durante os oito anos de governo do presidente Lula. Em linhas gerais, isso é o que atesta Roberto Antonio Liebgott, vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entidade que atua ativamente pela defesa dos direitos dos povos indígenas. Em análise detalhada, são comprovados os poucos avanços e relatadas situações de descaso com a saúde, a educação e a demarcação de terras indígenas.
Rememorando a atuação dos chefes de Estado brasileiros, começando pelo general do Exército João Batista Figueiredo é possível constatar a permanente desatenção a esta parcela da população brasileira. O governo de Figueiredo foi marcado por epidemias e endemias que vitimaram dezenas de povos e quase extinguiram algumas etnias, como os Deni. Os anos de 1979 a 1985 também foram marcados pela construção de estradas e hidrelétricas em terras indígenas.

No governo do presidente José Sarney (1985-1990) o processo de invasões teve continuidade, desta vez, protagonizado por pescadores, madeireiros, garimpeiros e mineradoras. Fui durante esta gestão que, com a ajuda do Governo Federal e da Fundação Nacional do Índio (Funai), mais de 30 mil garimpeiros ocuparam as terras indígenas Yanomami, situação que ocasionou a morte de cerca de 2.000 indígenas em virtude das doenças trazidas pelos invasores.

O sucessor de Sarney, Fernando Collor de Mello (1990 a 1992), promoveu alguns benefícios, como a demarcação das terras Yanomami. No entanto, a iniciativa foi motivada pela pressão em função da realização da ECO 92 no Brasil. Este governo promoveu a homologação de 108 terras indígenas. Após o impeachment de Collor, o Brasil foi governado durante dois anos por Itamar Franco, quem promoveu a homologação, em dois anos, de 20 terras indígenas.

Presidente do Brasil durante oito anos (1994 a 2002), Fernando Henrique Cardoso deu um pouco mais de visibilidade à questão indígena, mas de acordo com Liebgott isso foi feito em virtude de interesses econômicos sobre as terras indígenas. Durante seus dois mandatos FHC homologou 147 terras indígenas.

Com a chegada de Lula à presidência após quatro disputas, as camadas populares e as minorias étnicas se encheram de esperança. No entanto, esse sentimento, sobretudo no que diz respeito aos povos indígenas, foi se esvaindo com o passar dos anos. Isso aconteceu porque demandas prioritárias da agenda indígena não foram levadas em consideração como deveriam durante o governo Lula.

As demarcações não foram priorizadas, prova disso é que apenas 88 terras foram homologadas, sendo que algumas tiveram seus procedimentos iniciados em governos anteriores. Centenas de outros processos de demarcação estão parados.

Segundo Liebgott ‘das 988 terras, 323 ainda encontram-se sem nenhuma providência; 146 estão em estudo, mas ainda a identificar. Quanto às terras em que os procedimentos de demarcação já tiveram início, a situação atual é a que se segue: 20 estão identificadas; 60 estão declaradas; 35 já foram homologadas e 366 encontram-se registradas e, desse modo, com sua demarcação concluída. Existem ainda 36 áreas que foram reservadas aos povos indígenas'.

A violência e a criminalização dos protestos indígenas foram outros pontos negativos que marcaram os últimos oitos anos. Bahia, Pernambuco, Maranhão e Mato Grosso do Sul foram cenário de episódios de violência, despejo e invasões. O caso dos Guarani Kaiowá, que foram despejados de suas terras, perseguidos e obrigados a viveram à beira de uma rodovia, foi considerado um dos episódios mais significativos para provar "a falta de interesse pelos povos indígenas".

A má utilização do orçamento indígena, que não promoveu ações efetivas para a sobrevivência física e cultural dos povos, e a reestruturação da Funai imposta sem consulta aos povos, também foram situações que contrariaram o solicitado pelos 241 povos indígenas do Brasil. No mesmo caminho seguiram as ações voltadas para a saúde e a educação, já que as propostas encaminhadas para os povos foram esquecidas em detrimento das propostas governamentais.

Aos povos indígenas e organizações que defendem os direitos destes só resta intensificar a luta. Os desafios que se configuram para o próximo ano não são desconhecidos. ‘Apresentar demandas, mobilizar-se em torno delas para que se transformem em políticas públicas, batalhar por participação em todas as etapas, e pressionar o poder público pela efetivação dos povos indígenas continuam sendo o caminho, assegura o vice-presidente do Cimi.

Fonte: Adital - Tatiana Félix

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Bento XVI: Mensagem para 44° Dia Mundial da Paz

Liberdade religiosa, caminho para a paz

1.NO INÍCIO DE UM ANO NOVO, desejo fazer chegar a todos e cada um os meus votos: votos de serenidade e prosperidade, mas sobretudo votos de paz. Infelizmente também o ano que encerra as portas esteve marcado pela perseguição, pela discriminação, por terríveis actos de violência e de intolerância religiosa.

Penso, em particular, na amada terra do Iraque, que, no seu caminho para a desejada estabilidade e reconciliação, continua a ser cenário de violências e atentados. Recordo as recentes tribulações da comunidade cristã, e de modo especial o vil ataque contra a catedral siro-católica de «Nossa Senhora do Perpétuo Socorro» em Bagdad, onde, no passado dia 31 de Outubro, foram assassinados dois sacerdotes e mais de cinquenta fiéis, quando se encontravam reunidos para a celebração da Santa Missa. A este ataque seguiram-se outros nos dias sucessivos, inclusive contra casas privadas, gerando medo na comunidade cristã e o desejo, por parte de muitos dos seus membros, de emigrar à procura de melhores condições de vida. Manifesto-lhes a minha solidariedade e a da Igreja inteira, sentimento que ainda recentemente teve uma concreta expressão na Assembleia Especial para o Médio Oriente do Sínodo dos Bispos, a qual encorajou as comunidades católicas no Iraque e em todo o Médio Oriente a viverem a comunhão e continuarem a oferecer um decidido testemunho de fé naquelas terras.

Agradeço vivamente aos governos que se esforçam por aliviar os sofrimentos destes irmãos em humanidade e convido os católicos a orarem pelos seus irmãos na fé que padecem violências e intolerâncias e a serem solidários com eles. Neste contexto, achei particularmente oportuno partilhar com todos vós algumas reflexões sobre a liberdade religiosa, caminho para a paz. De facto, é doloroso constatar que, em algumas regiões do mundo, não é possível professar e exprimir livremente a própria religião sem pôr em risco a vida e a liberdade pessoal. Noutras regiões, há formas mais silenciosas e sofisticadas de preconceito e oposição contra os crentes e os símbolos religiosos. Os cristãos são, actualmente, o grupo religioso que padece o maior número de perseguições devido à própria fé. Muitos suportam diariamente ofensas e vivem frequentemente em sobressalto por causa da sua procura da verdade, da sua fé em Jesus Cristo e do seu apelo sincero para que seja reconhecida a liberdade religiosa. Não se pode aceitar nada disto, porque constitui uma ofensa a Deus e à dignidade humana; além disso, é uma ameaça à segurança e à paz e impede a realização de um desenvolvimento humano autêntico e integral.

De facto, na liberdade religiosa exprime-se a especificidade da pessoa humana, que, por ela, pode orientar a própria vida pessoal e social para Deus, a cuja luz se compreendem plenamente a identidade, o sentido e o fim da pessoa. Negar ou limitar arbitrariamente esta liberdade significa cultivar uma visão redutiva da pessoa humana; obscurecer a função pública da religião significa gerar uma sociedade injusta, porque esta seria desproporcionada à verdadeira natureza da pessoa; isto significa tornar impossível a afirmação de uma paz autêntica e duradoura para toda a família humana.

Por isso, exorto os homens e mulheres de boa vontade a renovarem o seu compromisso pela construção de um mundo onde todos sejam livres para professar a sua própria religião ou a sua fé e viver o seu amor a Deus com todo o coração, toda a alma e toda a mente (cf. Mt 22, 37). Este é o sentimento que inspira e guia a Mensagem para o XLIV Dia Mundial da Paz, dedicada ao tema: Liberdade religiosa, caminho para a paz.

Direito sagrado à vida e a uma vida espiritual

2. O direito à liberdade religiosa está radicado na própria dignidade da pessoa humana, cuja natureza transcendente não deve ser ignorada ou negligenciada. Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 27). Por isso, toda a pessoa é titular do direito sagrado a uma vida íntegra, mesmo do ponto de vista espiritual. Sem o reconhecimento do próprio ser espiritual, sem a abertura ao transcendente, a pessoa humana retrai-se sobre si mesma, não consegue encontrar resposta para as perguntas do seu coração sobre o sentido da vida e dotar-se de valores e princípios éticos duradouros, nem consegue sequer experimentar uma liberdade autêntica e desenvolver uma sociedade justa.

A Sagrada Escritura, em sintonia com a nossa própria experiência, revela o valor profundo da dignidade humana: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes? Fizestes dele quase um ser divino, de honra e glória o coroastes; destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos, tudo submetestes a seus pés» (Sl 8, 4-7).

Perante a sublime realidade da natureza humana, podemos experimentar a mesma admiração expressa pelo salmista. Esta manifesta-se como abertura ao Mistério, como capacidade de interrogar-se profundamente sobre si mesmo e sobre a origem do universo, como íntima ressonância do Amor supremo de Deus, princípio e fim de todas as coisas, de cada pessoa e dos povos. A dignidade transcendente da pessoa é um valor essencial da sabedoria judaico-cristã, mas, graças à razão, pode ser reconhecida por todos. Esta dignidade, entendida como capacidade de transcender a própria materialidade e buscar a verdade, há-de ser reconhecida como um bem universal, indispensável na construção duma sociedade orientada para a realização e a plenitude do homem. O respeito de elementos essenciais da dignidade do homem, tais como o direito à vida e o direito à liberdade religiosa, é uma condição da legitimidade moral de toda a norma social e jurídica.

Liberdade religiosa e respeito recíproco

3.A liberdade religiosa está na origem da liberdade moral. Com efeito, a abertura à verdade e ao bem, a abertura a Deus, radicada na natureza humana, confere plena dignidade a cada um dos seres humanos e é garante do respeito pleno e recíproco entre as pessoas. Por conseguinte, a liberdade religiosa deve ser entendida não só como imunidade da coacção mas também, e antes ainda, como capacidade de organizar as próprias opções segundo a verdade.

Existe uma ligação indivisível entre liberdade e respeito; de facto, «cada homem e cada grupo social estão moralmente obrigados, no exercício dos próprios direitos, a ter em conta os direitos alheios e os seus próprios deveres para com os outros e o bem comum».

Uma liberdade hostil ou indiferente a Deus acaba por se negar a si mesma e não garante o pleno respeito do outro. Uma vontade, que se crê radicalmente incapaz de procurar a verdade e o bem, não tem outras razões objectivas nem outros motivos para agir senão os impostos pelos seus interesses momentâneos e contingentes, não tem uma «identidade» a preservar e construir através de opções verdadeiramente livres e conscientes. Mas assim não pode reclamar o respeito por parte de outras «vontades», também estas desligadas do próprio ser mais profundo e capazes, por conseguinte, de fazer valer outras «razões» ou mesmo nenhuma «razão». A ilusão de encontrar no relativismo moral a chave para uma pacífica convivência é, na realidade, a origem da divisão e da negação da dignidade dos seres humanos. Por isso se compreende a necessidade de reconhecer uma dupla dimensão na unidade da pessoa humana: a religiosa e a social. A este respeito, é inconcebível que os crentes «tenham de suprimir uma parte de si mesmos - a sua fé - para serem cidadãos activos; nunca deveria ser necessário renegar a Deus, para se poder gozar dos próprios direitos».

A família, escola de liberdade e de paz
4.Se a liberdade religiosa é caminho para a paz, a educação religiosa é estrada privilegiada para habilitar as novas gerações a reconhecerem no outro o seu próprio irmão e a sua própria irmã, com quem caminhar juntos e colaborar para que todos se sintam membros vivos de uma mesma família humana, da qual ninguém deve ser excluído.

A família fundada sobre o matrimónio, expressão de união íntima e de complementaridade entre um homem e uma mulher, insere-se neste contexto como a primeira escola de formação e de crescimento social, cultural, moral e espiritual dos filhos, que deveriam encontrar sempre no pai e na mãe as primeiras testemunhas de uma vida orientada para a busca da verdade e para o amor de Deus. Os próprios pais deveriam ser sempre livres para transmitir, sem constrições e responsavelmente, o próprio património de fé, de valores e de cultura aos filhos. A família, primeira célula da sociedade humana, permanece o âmbito primário de formação para relações harmoniosas a todos os níveis de convivência humana, nacional e internacional. Esta é a estrada que se há-de sapientemente percorrer para a construção de um tecido social robusto e solidário, para preparar os jovens à assunção das próprias responsabilidades na vida, numa sociedade livre, num espírito de compreensão e de paz.

Um patrimônio comum

5.Poder-se-ia dizer que, entre os direitos e as liberdades fundamentais radicados na dignidade da pessoa, a liberdade religiosa goza de um estatuto especial. Quando se reconhece a liberdade religiosa, a dignidade da pessoa humana é respeitada na sua raiz e reforça-se a índole e as instituições dos povos. Pelo contrário, quando a liberdade religiosa é negada, quando se tenta impedir de professar a própria religião ou a própria fé e de viver de acordo com elas, ofende-se a dignidade humana e, simultaneamente, acabam ameaçadas a justiça e a paz, que se apoiam sobre a recta ordem social construída à luz da Suma Verdade e do Sumo Bem.

Neste sentido, a liberdade religiosa é também uma aquisição de civilização política e jurídica. Trata-se de um bem essencial: toda a pessoa deve poder exercer livremente o direito de professar e manifestar, individual ou comunitariamente, a própria religião ou a própria fé, tanto em público como privadamente, no ensino, nos costumes, nas publicações, no culto e na observância dos ritos. Não deveria encontrar obstáculos, se quisesse eventualmente aderir a outra religião ou não professar religião alguma. Neste âmbito, revela-se emblemático e é uma referência essencial para os Estados o ordenamento internacional, enquanto não consente alguma derrogação da liberdade religiosa, salvo a legítima exigência da justa ordem pública. Deste modo, o ordenamento internacional reconhece aos direitos de natureza religiosa o mesmo status do direito à vida e à liberdade pessoal, comprovando a sua pertença ao núcleo essencial dos direitos do homem, àqueles direitos universais e naturais que a lei humana não pode jamais negar.

A liberdade religiosa não é património exclusivo dos crentes, mas da família inteira dos povos da terra. É elemento imprescindível de um Estado de direito; não pode ser negada, sem ao mesmo tempo minar todos os direitos e as liberdades fundamentais, pois é a sua síntese e ápice. É «o papel de tornassol para verificar o respeito de todos os outros direitos humanos». Ao mesmo tempo que favorece o exercício das faculdades humanas mais específicas, cria as premissas necessárias para a realização de um desenvolvimento integral, que diz respeito unitariamente à totalidade da pessoa em cada uma das suas dimensões.

A dimensão pública da religião

6.Embora movendo-se a partir da esfera pessoal, a liberdade religiosa - como qualquer outra liberdade - realiza-se na relação com os outros. Uma liberdade sem relação não é liberdade perfeita. Também a liberdade religiosa não se esgota na dimensão individual, mas realiza-se na própria comunidade e na sociedade, coerentemente com o ser relacional da pessoa e com a natureza pública da religião.

O relacionamento é uma componente decisiva da liberdade religiosa, que impele as comunidades dos crentes a praticarem a solidariedade em prol do bem comum. Cada pessoa permanece única e irrepetível e, ao mesmo tempo, completa-se e realiza-se plenamente nesta dimensão comunitária.

Inegável é a contribuição que as religiões prestam à sociedade. São numerosas as instituições caritativas e culturais que atestam o papel construtivo dos crentes na vida social. Ainda mais importante é a contribuição ética da religião no âmbito político. Tal contribuição não deveria ser marginalizada ou proibida, mas vista como válida ajuda para a promoção do bem comum. Nesta perspectiva, é preciso mencionar a dimensão religiosa da cultura, tecida através dos séculos graças às contribuições sociais e sobretudo éticas da religião. Tal dimensão não constitui de modo algum uma discriminação daqueles que não partilham a sua crença, mas antes reforça a coesão social, a integração e a solidariedade.

Liberdade religiosa, força de liberdade e de civilização:
os perigos da sua instrumentalização


7.A instrumentalização da liberdade religiosa para mascarar interesses ocultos, como por exemplo a subversão da ordem constituída, a apropriação de recursos ou a manutenção do poder por parte de um grupo, pode provocar danos enormes às sociedades. O fanatismo, o fundamentalismo, as práticas contrárias à dignidade humana não se podem jamais justificar, e menos ainda o podem ser se realizadas em nome da religião. A profissão de uma religião não pode ser instrumentalizada, nem imposta pela força. Por isso, é necessário que os Estados e as várias comunidades humanas nunca se esqueçam que a liberdade religiosa é condição para a busca da verdade e que a verdade não se impõe pela violência mas pela «força da própria verdade». Neste sentido, a religião é uma força positiva e propulsora na construção da sociedade civil e política.

Como se pode negar a contribuição das grandes religiões do mundo para o desenvolvimento da civilização? A busca sincera de Deus levou a um respeito maior da dignidade do homem. As comunidades cristãs, com o seu património de valores e princípios, contribuíram imenso para a tomada de consciência das pessoas e dos povos a respeito da sua própria identidade e dignidade, bem como para a conquista de instituições democráticas e para a afirmação dos direitos do homem e seus correlativos deveres.

Também hoje, numa sociedade cada vez mais globalizada, os cristãos são chamados - não só através de um responsável empenhamento civil, económico e político, mas também com o testemunho da própria caridade e fé - a oferecer a sua preciosa contribuição para o árduo e exaltante compromisso em prol da justiça, do desenvolvimento humano integral e do recto ordenamento das realidades humanas. A exclusão da religião da vida pública subtrai a esta um espaço vital que abre para a transcendência. Sem esta experiência primária, revela-se uma tarefa árdua orientar as sociedades para princípios éticos universais e torna-se difícil estabelecer ordenamentos nacionais e internacionais nos quais os direitos e as liberdades fundamentais possam ser plenamente reconhecidos e realizados, como se propõem os objectivos - infelizmente ainda menosprezados ou contestados - da Declaração Universal dos direitos do homem de 1948.

Uma questão de justiça e de civilização:
o fundamentalismo e a hostilidade contra os crentes prejudicam
a laicidade positiva dos Estados

8.A mesma determinação, com que são condenadas todas as formas de fanatismo e de fundamentalismo religioso, deve animar também a oposição a todas as formas de hostilidade contra a religião, que limitam o papel público dos crentes na vida civil e política.

Não se pode esquecer que o fundamentalismo religioso e o laicismo são formas reverberadas e extremas de rejeição do legítimo pluralismo e do princípio de laicidade. De facto, ambas absolutizam uma visão redutiva e parcial da pessoa humana, favorecendo formas, no primeiro caso, de integralismo religioso e, no segundo, de racionalismo. A sociedade, que quer impor ou, ao contrário, negar a religião por meio da violência, é injusta para com a pessoa e para com Deus, mas também para consigo mesma. Deus chama a Si a humanidade através de um desígnio de amor, o qual, ao mesmo tempo que implica a pessoa inteira na sua dimensão natural e espiritual, exige que lhe corresponda em termos de liberdade e de responsabilidade, com todo o coração e com todo o próprio ser, individual e comunitário. Sendo assim, também a sociedade, enquanto expressão da pessoa e do conjunto das suas dimensões constitutivas, deve viver e organizar-se de modo a favorecer a sua abertura à transcendência. Por isso mesmo, as leis e as instituições duma sociedade não podem ser configuradas ignorando a dimensão religiosa dos cidadãos ou de modo que prescindam completamente da mesma; mas devem ser comensuradas - através da obra democrática de cidadãos conscientes da sua alta vocação - ao ser da pessoa, para o poderem favorecer na sua dimensão religiosa. Não sendo esta uma criação do Estado, não pode ser manipulada, antes deve contar com o seu reconhecimento e respeito.

O ordenamento jurídico a todos os níveis, nacional e internacional, quando consente ou tolera o fanatismo religioso ou anti-religioso, falta à sua própria missão, que consiste em tutelar e promover a justiça e o direito de cada um. Tais realidades não podem ser deixadas à mercê do arbítrio do legislador ou da maioria, porque, como já ensinava Cícero, a justiça consiste em algo mais do que um mero acto produtivo da lei e da sua aplicação. A justiça implica reconhecer a cada um a sua dignidade, a qual, sem liberdade religiosa garantida e vivida na sua essência, fica mutilada e ofendida, exposta ao risco de cair sob o predomínio dos ídolos, de bens relativos transformados em absolutos. Tudo isto expõe a sociedade ao risco de totalitarismos políticos e ideológicos, que enfatizam o poder público, ao mesmo tempo que são mortificadas e coarctadas, como se lhe fizessem concorrência, as liberdades de consciência, de pensamento e de religião.

Diálogo entre instituições civis e religiosas

9.O património de princípios e valores expressos por uma religiosidade autêntica é uma riqueza para os povos e respectivas índoles: fala directamente à consciência e à razão dos homens e mulheres, lembra o imperativo da conversão moral, motiva para aperfeiçoar a prática das virtudes e aproximar-se amistosamente um do outro sob o signo da fraternidade, como membros da grande família humana.

No respeito da laicidade positiva das instituições estatais, a dimensão pública da religião deve ser sempre reconhecida. Para isso, um diálogo sadio entre as instituições civis e as religiosas é fundamental para o desenvolvimento integral da pessoa humana e da harmonia da sociedade.

Viver no amor e na verdade

10.No mundo globalizado, caracterizado por sociedades sempre mais multiétnicas e pluriconfessionais, as grandes religiões podem constituir um factor importante de unidade e paz para a família humana. Com base nas suas próprias convicções religiosas e na busca racional do bem comum, os seus membros são chamados a viver responsavelmente o próprio compromisso num contexto de liberdade religiosa. Nas variadas culturas religiosas, enquanto há que rejeitar tudo aquilo que é contra a dignidade do homem e da mulher, é preciso, ao contrário, valer-se daquilo que resulta positivo para a convivência civil.

O espaço público, que a comunidade internacional torna disponível para as religiões e para a sua proposta de «vida boa», favorece o aparecimento de uma medida compartilhável de verdade e de bem e ainda de um consenso moral, que são fundamentais para uma convivência justa e pacífica. Os líderes das grandes religiões, pela sua função, influência e autoridade nas respectivas comunidades, são os primeiros a ser chamados ao respeito recíproco e ao diálogo.

Os cristãos, por sua vez, são solicitados pela sua própria fé em Deus, Pai do Senhor Jesus Cristo, a viver como irmãos que se encontram na Igreja e colaboram para a edificação de um mundo, onde as pessoas e os povos «não mais praticarão o mal nem a destruição (...), porque o conhecimento do Senhor encherá a terra, como as águas enchem o leito do mar» (Is 11, 9).

Diálogo como busca em comum

11.Para a Igreja, o diálogo entre os membros de diversas religiões constitui um instrumento importante para colaborar com todas as comunidades religiosas para o bem comum. A própria Igreja nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. «Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia reflectem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens».

A estrada indicada não é a do relativismo nem do sincretismo religioso. De facto, a Igreja «anuncia, e tem mesmo a obrigação de anunciar incessantemente Cristo, "caminho, verdade e vida" (Jo 14, 6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo mesmo todas as coisas». Todavia isto não exclui o diálogo e a busca comum da verdade em diversos âmbitos vitais, porque, como diz uma expressão usada frequentemente por São Tomás de Aquino, «toda a verdade, independentemente de quem a diga, provém do Espírito Santo».

Em 2011, tem lugar o 25º aniversário da Jornada Mundial de Oração pela Paz, que o Venerável Papa João Paulo II convocou em Assis em 1986. Naquela ocasião, os líderes das grandes religiões do mundo deram testemunho da religião como sendo um factor de união e paz, e não de divisão e conflito. A recordação daquela experiência é motivo de esperança para um futuro onde todos os crentes se sintam e se tornem autenticamente obreiros de justiça e de paz.

Verdade moral na política e na diplomacia

12.A política e a diplomacia deveriam olhar para o património moral e espiritual oferecido pelas grandes religiões do mundo, para reconhecer e afirmar verdades, princípios e valores universais que não podem ser negados sem, com os mesmos, negar-se a dignidade da pessoa humana. Mas, em termos práticos, que significa promover a verdade moral no mundo da política e da diplomacia? Quer dizer agir de maneira responsável com base no conhecimento objectivo e integral dos factos; quer dizer desmantelar ideologias políticas que acabam por suplantar a verdade e a dignidade humana e pretendem promover pseudo-valores com o pretexto da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos; quer dizer favorecer um empenho constante de fundar a lei positiva sobre os princípios da lei natural. Tudo isto é necessário e coerente com o respeito da dignidade e do valor da pessoa humana, sancionado pelos povos da terra na Carta da Organização das Nações Unidas de 1945, que apresenta valores e princípios morais universais de referência para as normas, as instituições, os sistemas de convivência a nível nacional e internacional.

Para além do ódio e do preconceito

13.Não obstante os ensinamentos da história e o compromisso dos Estados, das organizações internacionais a nível mundial e local, das organizações não governamentais e de todos os homens e mulheres de boa vontade que cada dia se empenham pela tutela dos direitos e das liberdades fundamentais, ainda hoje no mundo se registam perseguições, descriminações, actos de violência e de intolerância baseados na religião. De modo particular na Ásia e na África, as principais vítimas são os membros das minorias religiosas, a quem é impedido de professar livremente a própria religião ou mudar para outra, através da intimidação e da violação dos direitos, das liberdades fundamentais e dos bens essenciais, chegando até à privação da liberdade pessoal ou da própria vida.

Temos depois, como já disse, formas mais sofisticadas de hostilidade contra a religião, que nos países ocidentais se exprimem por vezes com a renegação da própria história e dos símbolos religiosos nos quais se reflectem a identidade e a cultura da maioria dos cidadãos. Frequentemente tais formas fomentam o ódio e o preconceito e não são coerentes com uma visão serena e equilibrada do pluralismo e da laicidade das instituições, sem contar que as novas gerações correm o risco de não entrar em contacto com o precioso património espiritual dos seus países.

A defesa da religião passa pela defesa dos direitos e liberdades das comunidades religiosas. Assim, os líderes das grandes religiões do mundo e os responsáveis das nações renovem o compromisso pela promoção e a tutela da liberdade religiosa, em particular pela defesa das minorias religiosas; estas não constituem uma ameaça contra a identidade da maioria, antes, pelo contrário, são uma oportunidade para o diálogo e o mútuo enriquecimento cultural. A sua defesa representa a maneira ideal para consolidar o espírito de benevolência, abertura e reciprocidade com que se há-de tutelar os direitos e as liberdades fundamentais em todas as áreas e regiões do mundo.

Liberdade religiosa no mundo

14.Dirijo-me, por fim, às comunidades cristãs que sofrem perseguições, discriminações, actos de violência e intolerância, particularmente na Ásia, na África, no Médio Oriente e de modo especial na Terra Santa, lugar escolhido e abençoado por Deus. Ao mesmo tempo que lhes renovo a expressão do meu afecto paterno e asseguro a minha oração, peço a todos os responsáveis que intervenham prontamente para pôr fim a toda a violência contra os cristãos que habitam naquelas regiões. Que os discípulos de Cristo não desanimem com as presentes adversidades, porque o testemunho do Evangelho é e será sempre sinal de contradição.

Meditemos no nosso coração as palavras do Senhor Jesus: «Felizes os que choram, porque hão-se ser consolados. (...) Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. (...) Felizes sereis quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentido, vos acusarem de toda a espécie de mal. Alegrai-vos e exultai, pois é grande nos Céus a vossa recompensa» (Mt 5, 4-12). Por isso, renovemos «o compromisso por nós assumido no sentido da indulgência e do perdão - que invocamos de Deus para nós, no "Pai-nosso" - por havermos posto, nós próprios, a condição e a medida da desejada misericórdia: "perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido"(Mt 6, 12)». A violência não se vence com a violência. O nosso grito de dor seja sempre acompanhado pela fé, pela esperança e pelo testemunho do amor de Deus. Faço votos também de que cessem no Ocidente, especialmente na Europa, a hostilidade e os preconceitos contra os cristãos pelo facto de estes pretenderem orientar a própria vida de modo coerente com os valores e os princípios expressos no Evangelho. Mais ainda, que a Europa saiba reconciliar-se com as próprias raízes cristãs, que são fundamentais para compreender o papel que teve, tem e pretende ter na história; saberá assim experimentar justiça, concórdia e paz, cultivando um diálogo sincero com todos os povos.

Liberdade religiosa, caminho para a paz

15.O mundo tem necessidade de Deus; tem necessidade de valores éticos e espirituais, universais e compartilhados, e a religião pode oferecer uma contribuição preciosa na sua busca, para a construção de uma ordem social justa e pacífica a nível nacional e internacional.

A paz é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, um projecto a realizar, nunca totalmente cumprido. Uma sociedade reconciliada com Deus está mais perto da paz, que não é simples ausência de guerra, nem mero fruto do predomínio militar ou económico, e menos ainda de astúcias enganadoras ou de hábeis manipulações. Pelo contrário, a paz é o resultado de um processo de purificação e elevação cultural, moral e espiritual de cada pessoa e povo, no qual a dignidade humana é plenamente respeitada. Convido todos aqueles que desejam tornar-se obreiros de paz e sobretudo os jovens a prestarem ouvidos à própria voz interior, para encontrar em Deus a referência estável para a conquista de uma liberdade autêntica, a força inesgotável para orientar o mundo com um espírito novo, capaz de não repetir os erros do passado. Como ensina o Servo de Deus Papa Paulo VI, a cuja sabedoria e clarividência se deve a instituição do Dia Mundial da Paz, «é preciso, antes de mais nada, proporcionar à Paz outras armas, que não aquelas que se destinam a matar e a exterminar a humanidade. São necessárias sobretudo as armas morais, que dão força e prestígio ao direito internacional; aquela arma, em primeiro lugar, da observância dos pactos».A liberdade religiosa é uma autêntica arma da paz, com uma missão histórica e profética. De facto, ela valoriza e faz frutificar as qualidades e potencialidades mais profundas da pessoa humana, capazes de mudar e tornar melhor o mundo; consente alimentar a esperança num futuro de justiça e de paz, mesmo diante das graves injustiças e das misérias materiais e morais. Que todos os homens e as sociedades aos diversos níveis e nos vários ângulos da terra possam brevemente experimentar a liberdade religiosa, caminho para a paz!

Vaticano, 8 de Dezembro de 2010.

BENEDICTUS PP XVI

Fonte: Rádio Vaticano

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Mensagens para Encontro Europeu de Taizé salientam importância de iniciativa que tem constituído «um dom especial para os jovens» no final de cada ano

Bento XVI, o secretário-geral da ONU e o presidente do Conselho Europeu, além de responsáveis do mundo cristão protestante e ortodoxo, enviaram mensagens de estímulo e reconhecimento pelo próximo Encontro Europeu de Taizé, marcado para Roterdão, na Holanda.
 
Referindo-se à iniciativa animada pela comunidade religiosa ecuménica de Taizé que decorre entre 28 de Dezembro e 1 de Janeiro, o Papa “invoca a força e a paz do Espírito Santo” sobre os jovens, assim como sobre os pastores, paróquias e famílias que os acolhem, na esperança de que os participantes sejam conduzidos “às fontes da alegria”.
 
Por seu lado, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, sublinha que “na era em que os desafios ultrapassam fronteiras e têm um alcance global”, o futuro “depende dum bom trabalho colectivo”.
 
O responsável afirma que a ONU conta com os jovens “neste tempo de provação” para levarem a “chama da solidariedade global” e para ajudarem a Organização “a dar aquilo que o mundo precisa neste momento crucial”.
 
O presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, escreve que se enche “de alegria interior” ao ouvir o nome de Taizé, “com seus irmãos, os seus jovens e menos jovens, de religião cristã mas de confissões diferentes, trazendo cada um, pela sua presença, uma porção de esperança a uma humanidade sempre a caminho”.

Dirigindo-se aos 30 mil jovens da Europa e de outros continentes em Roterdão, o patriarca Bartolomeu de Constantinopla, da Igreja Ortodoxa, lembra que “são o futuro da Igreja” e que lhes cabe a “responsabilidade de agir na sociedade”, promovendo “os princípios de justiça e de amor”.

O arcebispo de Cantuária e figura mais destacada da hierarquia anglicana, Rowan Williams, faz votos para que os participantes da 33.ª edição do encontro possam descobrir um coração feito de “alegria que ninguém pode mover” e de um “amor que ninguém pode separar”.

Para o secretário-geral da Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas, Setri Nyomi, os encontros anuais organizados pela comunidade ecuménica localizada na França “têm sido um dom especial para os jovens”.

Fonte: Rádio Vaticano

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Campanha planeja Semana Nacional de Luta Contra o Extermínio de Jovens para 2011

Aprofundar o debate com a sociedade e formular propostas concretas para o enfrentamento da violência serão algumas das prioridades da Campanha Nacional Contra a Violência e o Extermínio de Jovens para os próximos anos. A conclusão é resultado do seminário nacional que terminou no último dia 19, em Salvador, e reuniu representantes de todas as regiões do país, além de organizações que apoiam a defesa dos direitos da juventude.

Na avaliação da coordenação nacional, o encontro foi muito bom na construção de novos horizontes, realizou também uma análise sobre o panorama do primeiro ano de existência da Campanha e pontuou desafios para o próximo período. O planejamento prevê para 2011 a divulgação do texto base até o mês de abril, um seminário nacional em agosto e a 1ª Semana Nacional de Luta Contra a Violência e o Extermínio de Jovens, em novembro, antecedendo o Dia Nacional da Consciência Negra.

O planejamento visa, também, a construção da marcha nacional da Campanha, programada para acontecer no mês de julho de 2012, em Brasília. Dentro da estratégia, ainda constam as atividades permanentes das Pastorais da Juventude (Semana da Cidadania, Semana do Estudante e Dia Nacional da Juventude) que terão como eixo os debates da Campanha. As ações previstas deverão contribuir para continuar sensibilizando a sociedade e denunciando o extermínio dos jovens brasileiros.

Além das atividades planejadas, outro desafio pontuado pelos participantes do seminário é o de ampliar o diálogo com as forças sociais interessadas em discutir o tema da violência e pensar formas de enfrentamento para esta questão. “Refletir sobre temas como drogas, violência praticada pela mídia, violência policial e violência doméstica, por exemplo, são fundamentais para avançarmos”, observa o membro da coordenação da Campanha, Felipe da Silva Freitas.
Chega de violência!

Lançada em novembro de 2009, a Campanha é uma iniciativa das Pastorais da Juventude do Brasil, com o apoio do Setor Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A intenção é debater as diversas formas de violência praticadas contra a juventude,  denunciar o extermínio de milhares de jovens no Brasil e desencadear ações que possam mudar a realidade.

Com uma taxa de até 51,7 homicídios para cada 100 mil, o Brasil é o 3º país com  mais  assassinatos  de  jovens  no  mundo,  atrás  de Colômbia e Venezuela. A conclusão consta do estudo Mapa da Violência 2010 – Anatomia dos Homicídios no Brasil, divulgado pelo Instituto Sangari. Segundo  relatório  da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), no Brasil morrem por dia, em média, 54 jovens vítimas de homicídio.

Fonte: CNBB

Papa evoca atentados de Natal contra cristãos e pede que se ponha termo ao ódio. Recordadas as famílias, neste domingo da Sagrada Família

Os atentados de Natal, numa igreja católica das Filipinas e outros ataques a igrejas cristãs da Nigéria foram evocados pelo Papa neste domingo ao meio-dia, por ocasião do Angelus, com milhares de fiéis congregados na Praça de São Pedro e muitos que o seguiam através da rádio e da televisão. Juntamente com os seus pêsames, Bento XVI renovou um apelo a que se abandone o caminho do ódio.

“Foi com grande tristeza que tomei conhecimento do atentado a uma igreja católica das Filipinas, quando se celebrava o rito do Natal, como também do ataque a igrejas cristãs da Nigéria. E também noutras partes do mundo, como no Paquistão, a terra voltou a ser manchada de sangue.
Desejo exprimir as minhas sentidas condolências pelas vítimas destas violências absurdas e renovo uma vez mais o apelo a abandonar o caminho do ódio para encontrar soluções pacíficas dos conflitos e para dar segurança e serenidade às caras populações.
Neste dia em que celebramos a Sagrada Família, que viveu a dramática experiência de ter que fugir para o Egipto por causa da fúria homicida de Herodes, recordemos também todos os que - em particular as famílias que são constrangidas a abandonar as próprias casas por causa da guerra, da violência e da intolerância.
Convido-vos, portanto a unirdes-vos a mim na oração para pedir intensamente ao Senhor que toque os corações dos homens e lhes traga esperança, reconciliação e paz”.

Na sua alocução antes do Angelus, Bento XVI reflectiu sobre a Sagrada Família, que a Igreja celebra neste domingo, convidando a contemplar o menino Jesus, no presépio, objecto do afecto e das atenções dos seus pais. “Na pobre gruta de Belém (escrevem os Padres da Igreja) resplandece uma luz vivíssima, reflexo do profundo mistério que envolve este Menino e que Maria e José acolhem no seu coração e deixam transparecer nos seus olhares, nos gestos, sobretudo nos seus silêncios. De facto, eles conservam no íntimo as palavras do anúncio do anjo a Maria: “aquele que vai nascer será chamado Filho de Deus”.

O nascimento de cada criança traz consigo algo deste mistério, como bem o sabem os pais que falam do “dom” que um filho para eles representa. “De facto, os seres humanos vivem a procriação, não como um mero acto reprodutivo, mas advertem a sua riqueza, intuem que em cada criatura humana que surge na terra é o ‘sinal’ por excelência do Criador e Pai que está nos céus. Como é importante, assim, que cada criança, ao vir ao mundo, seja acolhida pelo calor de uma família”.
E o que mais interessa não são as comodidades exteriores. “Jesus nasceu num estábulo, tendo como berço uma manjedoura, mas o amor de Maria e de José fizeram-lhe sentir a ternura e beleza de sermos amados”. “É disto que têm necessidade as crianças: do amor do pai e da mãe. É isto que lhes dá segurança e que, no crescimento, permite descobrir o sentido da vida”.
Não obstante as muitas provações por que passou a santa Família de Nazaré, incluindo o ter que imigrar para o Egipto – observou o Papa – confiando na divina Providência, eles conseguiram a sua estabilidade e asseguraram a Jesus uma infância serena e uma sólida educação”. “Confiemos a Nossa Senhora e a São José todas as famílias, para que não desanimem perante as provações e dificuldades, mas cultivem o amor conjugal e se dediquem confiadamente ao serviço da vida e da educação”.

Fonte: Rádio Vaticano

Papa condena «violência absurda» que manchou o Natal

Atentados contra igrejas nas Filipinas e Nigéria lembrados por Bento XVI, que lamentou ainda ataque no Paquistão

Bento XVI condenou este Domingo a "violência absurda" contra os cristãos, nesta quadra natalícia, referindo-se aos atentados que tiveram lugar na Nigéria e Filipinas, provocando dezenas de mortes.

"Soube com grande tristeza do atentado numa igreja católica nas Filipinas, enquanto se celebravam os ritos do dia de Natal, como também do ataque a igrejas cristãs na Nigéria", afirmou, num apelo lido após a recitação do Angelus, na Praça de São Pedro.

Uma série de atentados bombistas e ataques contra igrejas, na Nigéria, saldou-se em pelo menos 38 mortos e dezenas de feridos.

Pelo menos 10 pessoas ficaram feridas numa explosão de uma bomba durante a Missa de Natal na igreja de uma base da polícia filipina na ilha de Jolo, no sul das Filipinas.

"O mundo continua a ser marcado pela violência, especialmente contra os discípulos de Cristo", assinalou o Papa.

Bento XVI disse ainda que "a terra se manchou de sangue noutras partes do mundo, como no Paquistão".

Um ataque suicida matou 45 pessoas no exterior de um armazém do Programa Alimentar Mundial (PAM), em Bajur, Paquistão.

O Papa manifestou as suas "sentidas condolências" às vítimas da violência, pedindo que os responsáveis pelos ataques abandonem "a via do ódio, para encontrar soluções pacíficas para os conflitos" e oferecer "segurança e serenidade" às populações.

Aos presentes, exortou a pedir "com força" a Deus "que toque os corações dos homens e leve a esperança, reconciliação e paz".

Num dia dedicado pela Igreja Católica à celebração da Sagrada Família, Bento XVI lembrou todos aqueles, em particular as famílias, que "foram obrigados a abandonar as suas próprias casas por causa da guerra, da violência e da intolerância".

A catequese proferida pelo Papa na parte inicial deste encontro, no Vaticano, falou da família formada por Jesus, Maria e José como um "exemplo de vida e comunhão" para "enfrentar as preocupações e as necessidades domésticas com profundo amor e compreensão recíproca".


Fonte: Agência Ecclesia