quinta-feira, 28 de março de 2013

Francisco na Missa do Crisma: “Ser pastor é sentir o cheiro das ovelhas”



O Papa Francisco celebrou na manhã desta Quinta-feira Santa, que abre o Tríduo Pascal, a Missa do Crisma na Basílica Vaticana.

Em sua homilia, falou da simbologia dos ungidos, seja na forma, seja no conteúdo. A beleza de tudo o que é litúrgico, explicou, não se reduz ao adorno e bom gosto dos paramentos, mas é presença da glória do nosso Deus que resplandece no seu povo vivo e consolado.

“O óleo precioso, que unge a cabeça de Aarão, não se limita a perfumá-lo, mas se espalha e atinge «as periferias». O Senhor dirá claramente que a sua unção é para os pobres, os presos, os doentes e quantos estão tristes e abandonados. A unção não é para perfumar a nós mesmos, e menos ainda para que a conservemos num frasco, pois o óleo tornar-se-ia rançoso... e o coração amargo.”

Para Francisco, o bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo: “Nota-se quando o povo é ungido com óleo da alegria; por exemplo, quando sai da Missa com o rosto de quem recebeu uma boa notícia. O nosso povo gosta do Evangelho quando é pregado com unção, quando o Evangelho que pregamos chega ao seu dia a dia, quando escorre como o óleo de Aarão até às bordas da realidade, quando ilumina as situações extremas, «as periferias» onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé”.

Ser sacerdote é estar nesta relação com Deus e com o seu povo, pois assim a graça passa através dele para ser mediador entre Deus e os homens. Esta graça, todavia, precisa ser reavivada, para intuir o desejo do povo de ser ungido e experimentar o seu poder e a sua eficácia redentora: “Nas «periferias» onde não falta sofrimento, há sangue derramado, há cegueira que quer ver, há prisioneiros de tantos patrões maus”.

Não é nas reiteradas introspecções que encontramos o Senhor, adverte o Pontífice, nem mesmo nos cursos de autoajuda. O poder da graça cresce na medida em que, com fé, saímos para nos dar a nós mesmos oferecendo o Evangelho aos outros, para dar a pouca unção que temos àqueles que nada têm.

“O sacerdote que sai pouco de si mesmo, que unge pouco, perde o melhor do nosso povo, aquilo que é capaz de ativar a parte mais profunda do seu coração presbiteral. Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. Daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, em vez de serem pastores com o «cheiro das ovelhas», pastores no meio do seu rebanho, e pescadores de homens.”

Para enfrentar a crise de identidade sacerdotal, que se soma à crise de civilização, Papa Francisco convida a lançar as redes em nome Daquele em que depositamos a nossa confiança: Jesus.

E conclui: “Amados fiéis, permanecei unidos aos vossos sacerdotes com o afeto e a oração, para que sejam sempre Pastores segundo o coração de Deus. Amados sacerdotes, Deus Pai renove em nós o Espírito de Santidade com que fomos ungidos, o renove no nosso coração de tal modo que a unção chegue a todos, mesmo nas «periferias» onde o nosso povo fiel mais a aguarda e aprecia”.


Fonte: Rádio Vaticano

Lava-pés: colocar-se a serviço de modo humilde, dos mais humildes

Na tarde desta Quinta-Feira Santa, Papa Francisco celebra a Santa Missa da Ceia do Senhor no Instituto Penal para Menores de Casal del Marmo. Esta Missa é caracterizada pelo rito do Lava-pés.

Celebrando no Instituto Penal para Menores, Francisco dá assim continuidade a uma tradição que assumiu quando ainda sacerdote. Em Buenos Aires, Bergoglio costumava celebrar esta Missa em prisões ou casas para pobres e marginalizados.

Para uma reflexão sobre o significado deste gesto, nós contatamos o Bispo responsável pela Pastoral Carcerária, Dom Pedro Luiz Stringhini, Bispo de Mogi das Cruzes, em São Paulo:

A Semana Santa é um momento tão importante na vida da Igreja, um momento tão importante para a vida dos cristãos católicos. É um retiro espiritual, como se costuma dizer. Celebramos os principais mistérios das passagens da vida do Cristo e o mistério da salvação: a paixão, a morte e a ressurreição do Senhor – o tríduo pascal é assim a maior festa litúrgica da Igreja Católica durante o ano.

Na Quinta-feira Santa, o Evangelho traz o texto do Lava-pés, ou seja, no fundo é a Igreja querendo ensinar que quem entendeu o significado da eucaristia deixado por Jesus, memorial da Páscoa, da Nova Aliança, quem celebra a eucaristia tem que se colocar a serviço e a serviço de modo humilde, e a serviço dos humildes e dos pequenos. E aí que entra a proclamação do Evangelho de João, capítulo 13, que é o texto do lava-pés – esta passagem tão bonita de Jesus, que antes de entregar sua vida quis realizar este gesto. Gesto simples, mas ao mesmo tempo tão contundente a ponto de S. Pedro não entender. Ou seja, quem celebra a eucaristia tem que se colocar a serviço, a serviço do mais humilde.

Este ano, a Festa da Páscoa coincide com a chegada de Francisco. Este Papa que nos surpreendeu vindo da América Latina, nos surpreendeu pelo nome que escolheu – é a primeira vez que um Papa se chama Francisco, evocando a figura de S. Francisco de Assim, que mais do que ninguém foi o santo que lavou mesmo os pés: ele foi abraçar o leproso, foi ao encontro dos mais pobres. Então tudo coincide e mais ainda o fato de que o Papa Francisco escolheu lavar os pés de jovens que estão privados da liberdade, em recuperação. Isso será um gesto muito profético. Vamos aprender com tudo isso, vamos aprender com o gesto de Jesus, que se repete na Igreja, e ao qual todos nós, cristãos, somos chamados a realizar e que o Papa Francisco está evidenciando.

E quando se trata da situação dos presos, dentro daquele espírito do Evangelho de Mateus, ‘estive preso e me visitaste’ – quando se fala desta situação, estamos diante da situação social mais grave. Porque uma coisa é socorrermos uma criança indefesa, todos nós gostamos de fazer isso, outra coisa é ir ao encontro daqueles que um dia praticaram atos contra a sociedade e que vivem numa situação muito precária, muito desafiadora.


Fonte: Rádio Vaticano

terça-feira, 26 de março de 2013

Via Sacra jovem homenageia Papa Francisco em São Paulo


  

Cerca de 3 mil pessoas, segundo estimativa da organização, entre crianças, adolescentes, jovens e adultos, participaram na manhã desta sexta-feira, 22, da “Via Sacra da criança e do adolescente” que, este ano, incluiu também os jovens.

A Via Sacra, promovida todos os anos pela Pastoral do Menor da Arquidiocese, contou com o apoio da Pastoral da Juventude (PJ) e do Setor Juventude da Arquidiocese. A coordenadora da Pastoral do Menor, Sueli Camargo, não escondeu a alegria por poder contar com a colaboração destas Pastorais e, no início da caminhada, agradeceu a todos pela colaboração.

Na primeira estação, realizada no Pátio do Colégio, os jovens da PJ lembraram os tantos jovens que são exterminados e assassinados nas periferias da cidade: “A juventude quer viver”, salientava a faixa segurada pelos jovens. As crianças, adolescentes e jovens presentes na caminhada tiveram seus rostos pintados com uma “mão vermelha”, simbolismo do sangue dos jovens assassinados e representando o desejo de basta com todo tipo de violência.

Ainda no Pátio do Colégio, foi feita uma homenagem ao Papa Francisco, dezenas de crianças vestidas de São Francisco subiram no palco ao som da “Oração de São Francisco” e com um cartaz que trazia o rosto do Papa e os dizeres “Papa Francisco ‘O Papa dos pobres’”.

Logo após a primeira estação, a procissão seguiu em direção da Praça do Patriarca, onde foi lembrada a frase de Dom Luciano Mendes de Almeida, “Criança e Adolescente não são problema, mas solução”.

A Via Sacra passou ainda pelo Largo São Francisco, onde realizou mais uma parada, e foi lembrado o lema da Campanha da Fraternidade deste ano, "Eis-me aqui, envia-me (Is 6,8)".

A última parada realizada na Praça da Sé, nas escadarias da Catedral, lembrou o sonho dos jovens e a força de transformação que eles possuem, “Corações que sonham, jovens que transformam”. Os alunos da Rede Marista fizeram apresentação teatral e dançaram a música do Padre Zezinho que tem embalado os “Bote Fé” pelo Brasil: “Nova Geração”.

(CM-Arquidiocese SP)

Fonte: Rádio Vaticano

segunda-feira, 25 de março de 2013

"Alegria, Cruz e Juventude" - as palavras de Papa Francisco em dia de Domingo de Ramos

Hoje teve início a Semana Santa no Vaticano com a Eucaristia de Domingo de Ramos. Às 9.30h o Papa Francisco abençoou os ramos de oliveira e no final da procissão presidiu à celebração da Santa Missa da Paixão do Senhor num dia em que é também a 28ª Jornada Mundial da Juventude. Uma Praça de São Pedro repleta por milhares de peregrinos e adornada com oliveiras da Puglia e ramos de palmeira de Sanremo e Bordighera.

Na sua homilia o Papa Francisco começa por indicar a cena narrada pelo Evangelho de Lucas: "Jesus entra em Jerusalem" e descreve-a:

"Multidão, festa, louvor, bênção, paz: respira-se um clima de alegria. Jesus despertou tantas esperanças no coração, especialmente das pessoas humildes, simples, pobres, abandonadas, pessoas que não contam aos olhos do mundo. Soube compreender as misérias humanas, mostrou o rosto misericordioso de Deus, inclinou-Se para curar o corpo e a alma. E agora entra na Cidade Santa…É um espectáculo lindo: cheio de luz, de alegria, de festa."

"Também no início da celebração todos nós presentes na Praça agitamos os nossos ramos de oliveira, disse o Papa Francisco, também nós acolhemos Jesus; também nós manifestamos a alegria de O acompanhar, de O sentir perto de nós, presente em nós e no nosso meio, como um amigo, como um irmão, mas também como rei, isto é, como farol luminoso da nossa vida. E aqui compreendemos a primeira palavra: alegria." Desta forma, o Papa recolhe da narração evangélica a palavra da entrada na Cidade Santa. E a multidão acolhe Jesus com tanta alegria que o aclama como Rei. O Papa Francisco lança uma interrogação:

Mas, que tipo de Rei seria Jesus? Vejamo-Lo… Monta um jumentinho, não tem uma corte como séquito, nem está rodeado de um exército como símbolo de força. Quem O acolhe são pessoas humildes, simples. Jesus não entra na Cidade Santa, para receber as honras reservadas aos reis terrenos, a quem tem poder, a quem domina; entra para ser flagelado, insultado e ultrajado, como preanuncia Isaías na Primeira Leitura (cf. Is 50, 6); entra para receber uma coroa de espinhos, uma cana, um manto de púrpura (a sua realeza será objecto de ludíbrio); entra para subir ao Calvário carregado com um madeiro. E aqui temos a segunda palavra: Cruz. Jesus entra em Jerusalém para morrer na Cruz.

Cruz é a segunda palavra da narração do texto de Lucas no dia de hoje e que Papa Francisco nos propõe como parte de um itinerário de vida. E é precisamente na Cruz que Jesus resplandece como Rei. Citando Bento XVI, o Papa Francisco recordou que os cardeais da Igreja são príncipes de um rei cujo trono é a Cruz. O que conta não é, pois, o poder terreno. O Santo Padre explica:

"Jesus toma sobre Si o mal, a sujeira, o pecado do mundo, incluindo o nosso pecado, e lava-o; lava-o com o seu sangue, com a misericórdia, com o amor de Deus. "

Na Cruz Jesus sente todo o peso do mal, mas com a forza do Amor de Deus vence-o na sua ressurreição. Quando abraçamos a Cruz de Cristo com amor não somos inundados pela tristeza mas pela alegria. Assim , para que a triologia do itinerário proposto fosse completado faltava a terceira palavra e ela é: jovens.

Hoje, nesta Praça, há tantos jovens. Desde há 28 anos que o Domingo de Ramos é a Jornada da Juventude! E aqui aparece a terceira palavra: jovens! Queridos jovens, imagino-vos fazendo festa ao redor de Jesus, agitando os ramos de oliveira; imagino-vos gritando o seu nome e expressando a vossa alegria por estardes com Ele!
Vós levais a Cruz peregrina por todos os continentes, pelas estradas do mundo.

E o Papa termina com um convite:

"Levai a vossa Cruz, correspondendo ao convite de Jesus: «Ide e fazei discípulos entre as nações» (cf. Mt 28, 19), que é o tema da Jornada da Juventude deste ano. "

Fonte: Rádio Vaticano

No Angelus o Papa Francisco invocou a intercessão da Virgem Maria para a Semana Santa

No final da celebração eucarística e antes da benção final o Papa Francisco propôs a toda a assembleia a oração do Angelus invcando a proteção e intercessão da Virgem Santa Maria durante esta Semana Santa. Eis as palavras em Português:

"Amados irmãos e irmãs,
No final desta celebração, invoquemos a intercessão da Virgem Maria para que nos acompanhe na Semana Santa. Ela, que seguiu com fé o seu Filho até ao Calvário, nos ajude a caminhar atrás d’Ele, levando com serenidade e amor a sua Cruz a fim de chegarmos à alegria da Páscoa. A Virgem Nossa Senhora das Dores ampare especialmente quem está vivendo situações mais difíceis; lembro de modo particular as pessoas vítimas de tuberculose, sendo hoje o Dia Mundial de luta contra esta doença. E de modo especial entrego a Maria vós próprios, caríssimos jovens, e o vosso itinerário rumo ao Rio de Janeiro.

Um bom caminho a todos!"

Fonte: Rádio Vaticano

sexta-feira, 22 de março de 2013

Consórcio de Belo Monte proíbe atingidos de se manifestarem

A Norte Energia, dona da hidrelétrica, e o Consórcio Construtor de Belo Monte conseguiram na Justiça Estadual do Pará a expedição de um interdito proibitório contra o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVPS). Pela decisão judicial os movimentos foram proibidos de fazer qualquer ação que interferisse no andamento da construção da barragem. Caso desrespeitassem a medida, a multa diária estabelecida seria de R$ 50 mil.

A ação foi articulada pelas empresas que compõe o consórcio da barragem de Belo Monte, com o nome fantasma Norte Energia, e servilmente aceita por uma juíza de plantão da 4ª Vara Civil da Comarca de Altamira, que expediu um documento chamado Interdito Proibitório, encaminhado para os movimentos que lutam pelos direitos dos atingidos na região numa evidente tentativa de criminalizar a luta dos atingidos.

A decisão foi emitida um dia antes da assembleia dos atingidos realizada na área social da Escola Bulamarque de Miranda, em um bairro de Altamira, distante cerca de 30 quilômetros do canteiro principal de obras. O evento reuniu mais de 500 atingidos pela barragem de Belo Monte, organizados no MAB, que buscavam reivindicar seus direitos e a ação foi claramente uma tentativa de inibir qualquer tentativa de manifestação dos atingidos.
O MAB relembra e encaminhará às empresas, governo e judiciário, o relatório aprovado pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana da Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal, onde consta a existência de uma prática e um padrão constante de violação dos direitos humanos nas construções de barragens no Brasil. É para combater essas práticas que os atingidos precisam se organizar.

Mais de 40 mil pessoas estão sendo atingidas pela Usina Hidrelétrica Belo Monte e até o momento pouco ou nada foi feito, mesmo depois dos R$ 22,5 bilhões de dinheiro público que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou para construção da usina e que certamente beneficiará empresas como Iberdrola, Vale, Alstom, Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Correa, Cemig e Eletrobrás.

O MAB repudia a posição do judiciário favorável aos violadores dos direitos humanos, sem se quer ouvir os atingidos, inclusive se valendo de medidas superadas desde o término do regime autoritário.

Finalmente, afirmamos que a luta dos atingidos é uma justa reação contra a agressão das empresas, e enquanto houver injustiças, a luta do povo atingido é legítima e continuará, mesmo que isso seja contra o interesse dos poderosos.

Fonte: www.cptnacional.org.br

Cáritas desenvolve ações para garantia de água no semiárido brasileiro

A água é um bem natural que está ficando cada vez mais escasso, devido ao mau uso do ser humano. Por esse motivo, a Organização das Nações Unidas criou o Dia Mundial da Água, em 22 de março de 1992.

Parte da população brasileira sofre com a seca todos os dias, e a Cáritas Brasileira, organismo vinculado à CNBB, desenvolve programas e projetos que buscam minimizar os efeitos da falta de chuva que afeta a vida de milhões de cidadãos na região nordeste. Este ano, a pior estiagem das últimas quatro décadas trouxeram prejuízos para a lavoura, fizeram disparar o preço dos alimentos, e têm obrigado muitos agricultores a deixarem o local onde moram. A possibilidade de chover abaixo da média histórica no Nordeste em 2013 é de 40% ou 45%, dependendo do estado, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Ocupando uma área de aproximadamente 975 mil quilômetros quadrados, o Semiárido brasileiro abrange 1.133 municípios de 9 estados do país. Embora seja o Semiárido mais chuvoso do planeta, constitui-se como uma região com déficit hídrico, o que também se aplica aos estados de Pernambuco, Alagoas e Paraíba, que fazem parte junto com o Rio Grande do Norte, da área de atuação da Cáritas Brasileira Regional Nordeste.

As ações desenvolvidas pela Rede Cáritas têm obtido resultados positivos, principalmente no que se refere ao armazenamento da água para consumo e produção, com base nos princípios da agroecologia, da economia popular solidária, da luta por políticas públicas e do acesso a terra, à água e aos direitos.

Um exemplo concreto de convivência com a realidade local é a experiência do Projeto Raízes, implantado nos municípios da Paraíba (Cacimbas, Casserengue e Poço Dantas), de Pernambuco (Ibirajuba) e Alagoas (Cacimbas), com apoio financeiro da cooperação espanhola Manos Unidas e o Banco do Nordeste (BNB). A iniciativa já promoveu a construção de 734 obras hídricas (cisternas de placas, barragens subterrâneas e tanques de pedra), a implantação de 156 núcleos produtivos familiares, 19 bancos de sementes, e a construção de 02 núcleos de beneficiamento de frutas. No total, 1.907 pessoas foram beneficiadas diretamente com as ações.

O Dia Mundial da Água não é só para pensar, mas principalmente para agir: vamos usar esse recurso natural com sabedoria para que ele nunca acabe.

Fonte: CNBB

CPT mostra que conflitos pela água cresceram em 2012

Boa parte do Brasil convive hoje com conflitos pelo uso da água. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), no ano passado foram registrados 115 conflitos, em 19 estados. “Uma das razões fundamentais, sem dúvida, é o registro dos conflitos acontecidos em função da seca, embora se reconheça que esse registro está aquém do real acontecido e em acontecimento, já que a longa estiagem não acabou”, explica Roberto Malvezzi, assessor nacional da CPT.

De acordo com o levantamento, a seca não é a razão única do crescimento dos conflitos pela água. “É que aqueles registrados como oriundos da estiagem se concentram em apenas seis estados, sendo cinco do Nordeste e um da região sul (Santa Catarina). Porém, quando nos debruçamos sobre os conflitos de água em geral, então eles abrangem 18 estados da federação. Dessa forma, podemos dizer que os conflitos pela água já adquiriram efetivamente uma dimensão nacional”, afirma Malvezzi.

O assessor conta que hoje os conflitos ocorrem de forma diferente. “Persistem as ocupações de bancos, órgãos públicos, fechamento de estradas, normalmente para reivindicar políticas públicas e obras estruturantes que empoderem a população para os períodos de estiagem prolongada”. A CPT afirma que os conflitos pela água estão presentes em todo o território nacional por outras razões: destruição e poluição de mananciais, impedimento de acesso à água, apropriação privada e não cumprimento de procedimentos legais.

“Esses problemas são causados em sua maioria esmagadora pela construção de hidrelétricas, barragens e açudes, mineradoras, comandados por empresários e ações dos governos estaduais e federal.  Há um fenômeno não captado pelos dados que é a apropriação privada dos aquíferos subterrâneos, particularmente no Oeste Baiano, e também das águas de superfície para finalidade de irrigação. Mesmo assim, está evidenciado pelos números quem são os causadores dos problemas e quem são as vítimas”, arremata Malvezzi.


Fonte:CNBB

"Lutar contra a pobreza, tanto material como espiritual" - Papa Francisco ao Corpo Diplomático acreditado na Santa Sé"

Esta manhã foi recebido pelo Papa Francisco o Corpo Diplomático acreditado na Santa Sé. No seu discurso o Papa agradeceu a numerosa presença de embaixadores, sinal de que são países que mantêm profícuas relações com a Santa Sé. É isso que o Papa pretende continuar desempenhando o seu ministério petrino desejando o bem de cada ser humano que vive na Terra. E não deixou de esclarecer a escolha do seu nome:

"Como sabeis, há vários motivos que, ao escolher o meu nome, me levaram a pensar em Francisco de Assis, uma figura bem conhecida mesmo além das fronteiras da Itália e da Europa, inclusive entre os que não professam a fé católica. Um dos primeiros é o amor que Francisco tinha pelos pobres. Ainda há tantos pobres no mundo! E tanto sofrimento passam estas pessoas! A exemplo de Francisco de Assis, a Igreja tem procurado, sempre e em todos os cantos da terra, cuidar e defender quem passa indigência e penso que podereis constatar, em muitos dos vossos países, a obra generosa dos cristãos que se empenham na ajuda aos doentes, aos órfãos, aos sem-abrigo e a quantos são marginalizados, e deste modo trabalham para construir sociedades mais humanas e mais justas."

Aludiu de seguida à pobreza espiritual, citando o Papa Emérito Bento XVI no seu célebre conceito de “ditadura do relativismo”, que deixa um pouco cada um como medida de si mesmo. Isto, disse o Papa, pode ser um entrave para a construção da paz. Desta forma, o Papa apelou-se à sua qualidade de Pontífice, ou seja, criador de pontes para, assim, colocar-se ao serviço do diálogo, nomeadamente entre as várias religiões, tendo citado a urgência do diálogo com o Islão. Em suma, o Papa Francisco pretende lutar contra a pobreza, contra toda a pobreza:

"Lutar contra a pobreza, tanto material como espiritual, edificar a paz e construir pontes: são como que os pontos de referimento para um caminho que devemos percorrer, desejando convidar cada um dos países que representais a tomar parte nele. Um caminho que será difícil, se não aprendermos a amar cada vez mais esta nossa terra. Também neste caso me serve de inspiração o nome de Francisco: ele ensina-nos um respeito profundo por toda a criação, ensina-nos a guardar este nosso meio ambiente, que muitas vezes não usamos para o bem, mas desfrutamos com avidez e prejudicando um ao outro."

De seguida o Santo Padre saudou cada um dos embaixadores presentes.

Fonte: Rádio Vaticano

Coordenação da 5ª SSB se reuniu para preparar eventos

Na tarde desta quinta-feira, 21 de março, foi realizada em Brasília (DF) a reunião ampliada da coordenação da 5a Semana Social Brasileira (SSB). Dom Guilherme Werlang, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz participou da reunião, juntamente com assessores e representantes das pastorais sociais, organismos e movimentos sociais.

Durante o encontro, foi avaliado o processo da 5a SSB, que está em andamento em todo o país, bem como a preparação de um seminário, marcado para os dias 20 a 23 de maio. Também trataram da preparação de um encontro, em parceria com os movimentos sociais, sobre "O Estado Financeirizado" nos dias 22 a 26 de abril em São Paulo; e de um outro seminário, marcado para junho, sobre o tema "Juventudes e o Estado que temos".

Mais informações sobre estes dois eventos e o andamento da 5 SSb estão disponíveis em www.semanasocialbrasileira.com.br.

Fonte: CNBB

quinta-feira, 21 de março de 2013

CFM vai apoiar o direito de a mulher abortar até a 12ª semana de gestação

O Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu romper o silêncio e defender a liberação do aborto até a 12.ª semana de gestação. O colegiado vai enviar à comissão do Senado que cuida da reforma do Código Penal um documento sugerindo que a interrupção da gravidez até o terceiro mês seja permitida, a exemplo do que já ocorre nos casos de risco à saúde da gestante ou quando a gravidez é resultante de estupro.

O gesto tem um claro significado político. "Queremos deflagrar uma nova discussão sobre o assunto e esperamos que outros setores da sociedade se juntem a nós", afirmou o presidente do CFM, Roberto D'Ávila. A entidade nunca havia se manifestado sobre o aborto.

A movimentação em torno do tema vem perdendo força nos últimos anos, fruto sobretudo de um compromisso feito pela presidente Dilma Rousseff com setores religiosos, ainda durante a campanha eleitoral. Diante da polêmica e das pressões sofridas de grupos contrários à legalização do aborto, a então candidata amenizou o discurso e se comprometeu a não adotar nenhuma medida para incentivar novas regras durante seu governo.

O comportamento da secretária de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci, é um exemplo do quanto o compromisso vem sendo seguido à risca. Conhecida por ser favorável ao aborto, em sua primeira entrevista depois da posse ela avisou: sua posição pessoal sobre o assunto não vinha mais ao caso. "O que importa é a posição do governo", disse ela, na época.

A decisão da entidade foi formalizada ontem, dia em que Dilma Rousseff se encontrou com o papa Francisco, em Roma.

Por enquanto, não há sinais de que uma nova onda de manifestos favoráveis possa mudar a estratégia do governo. O Ministério da Saúde disse que a discussão do tema cabe ao Congresso. A ministra Eleonora, por sua vez, afirmou que não se manifestaria.

"Não podemos deixar que esse assunto vire um tabu. O País precisa avançar", afirmou D'Ávila. Ele argumenta que mulheres sempre recorreram ao aborto, sendo ele crime ou não. Para o conselho, a situação atual cria duas realidades: mulheres com melhores condições econômicas buscam locais seguros para fazer a interrupção da gravidez. As que não têm recursos recorrem a locais inseguros. "Basta ver o alto índice de morte de mulheres por complicações. Não precisa ser assim." O aborto é a quinta causa de morte entre mulheres - são 200 mil por ano.

O CFM sustenta que a mulher tem autonomia para decidir. "E essas escolhas têm de ser respeitadas." A proposta do CFM avança em relação ao texto da comissão do Senado, que também permitia o aborto até a 12.ª semana, mas desde que houvesse aprovação médica. "Seria uma burocracia desnecessária. Sem falar de que poderia começar a ocorrer fraude com tais laudos", avaliou.

Legislação

D'Avila é enfático ao dizer que o CFM não é favorável ao aborto. "O que defendemos é o direito de a mulher decidir." A divulgação do manifesto, diz, não mudará em nada a forma como o conselho trata acusações de médicos que realizaram aborto ilegal. "Não estamos autorizando os profissionais a fazer a interrupção da gravidez nos casos que não estão previstos em lei. Queremos é que a lei seja alterada." O presidente do CFM reconhece haver resistência a essa alteração.

"Vivemos em um Estado laico. Seria ótimo que as decisões fossem adotadas de acordo com o que a sociedade quer e não com o que alguns grupos permitem."

Entidades divergem sobre o tema:

"A liberação do aborto representaria evitar um mal com outro mal", afirmou ontem o representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Clóvis Bonfleur. "Isso nunca será a solução. É preciso formar a juventude, garantir o acesso à informação. Essas medidas, sim, é que podem proteger a mulher", observou.

Bonfleur também questionou a representatividade da decisão do CFM. "Isso não é a opinião da classe, pois certamente eles não ouviram todos os médicos", disse. "Essa é a posição apenas dos integrantes do colegiado."

Para o representante da CNBB, o argumento de que a liberação do aborto protegeria mulheres economicamente menos privilegiadas é questionável. "Não há nada que prove que mulheres com recursos são submetidas ao procedimento com segurança, ficando o risco de vida apenas às mais pobres", completou.

À favor

"É um feito histórico", comemorou ontem a presidente da organização Católicas pelo Direito de Decidir, Maria José Rosado. "Como essa manifestação, há tempo esperada e muito bem-vinda, o Conselho Federal de Medicina mostra que a descriminalização do aborto não é apenas uma pauta de feministas, mas da sociedade", disse. Ela acredita que o envio do documento para o Senado possa trazer novo fôlego para a discussão sobre o aborto no País. "Estamos falando de uma classe que lida cotidianamente com o problema. Há uma necessidade real: mulheres morrem, têm complicações por abortos mal realizados."

Fonte: www.estadao.br.msn.com

Papa Francisco recebeu em audiência o Nobel da Paz Adolfo Peres Esquivel

Esta manhã o Papa Francisco recebeu em audiência o activista dos direitos e humanos e Nobel da Paz em 1980, Adolfo Peres Esquivel. O arquitecto e escultor argentino é uma personagem fundamental na luta contra a ditadura militar de do General Videla nos anos 70. E a propósito das dúvidas que muitos colocaram em relação à actuação do Cardeal Bergogllio neste período específico da história da Argentina, a opinião de Esquivel retirando qualquer responsabilidade do Arcebispo de Buenos Aires em atitudes menos justas e reforçando o empenho do Cardeal na defesa da lliberdade e dos mais pobres e excluídos da sociedade.

Foram também recebidos o Cardeal Paul Cordes, Presidente Emerito do Pontifício Conselho “Cor Unum”, Sua Beatitude, Louis Raphael Sako, Patriarca de Babilónia dos Caldeus e ainda o Monsenhor Carlos Maria Nannei da Prelatura da Santa Cruz e Opus Dei.

Fonte: Rádio Vaticano

O Papa Francisco celebrará a Missa da Ceia do Senhor de Quinta-Feira Santa, dia 28, no Instituto Penal para Menores de Casal del Marmo em Roma

Esta manhã a Santa Sé informou através de comunicado que o Papa Francisco celebrará a Missa da Ceia do Senhor de Quinta-Feira Santa, dia 28, no Instituto Penal para Menores de Casal del Marmo em Roma pelas 17.30h. O comunicado informa ainda que, sendo esta celebração um memorial da Última Ceia de Jesus é caracterizada pelo anúncio do Mandamento do Amor e do gesto do Lava-Pés. Enquanto Arcebispo de Buenos Aires o então Cardeal Bergoglio usava celebrar esta missa numa prisão, num hospital ou numa casa de acolhimento de pessoas pobres e marginalizadas. Com a celebração do Instituto Penal de Casal del Marmo o Papa Francisco mantêm este hábito caracterizado de enorme simplicidade.

Entretanto, as celebrações pascais da Semana Santa decorrerão normalmente como oportunamente noticiaremos com maior pormenor. Para já, podemos informar que no início do Tríduo Pascal o Papa Francisco na manhã de Quinta-Feira Santa, dia 28, celebrará na Basílica de São Pedro a tradicional Missa Crismal.

Fonte: Rádio Vaticano

IAM no estado do Ceará intensifica implantação de grupos

Tendo em vista a celebração dos 170 anos de fundação, a Pontifícia Obra da Infância e Adolescência Missionária (IAM) se prepara para vivenciar no Brasil um ano especial. Uma das iniciativas, a exemplo do que já acontece em outros países, é a realização, no último domingo do mês de maio, da Jornada Nacional da IAM, um dia dedicado à prática do carisma da Obra: "uma Ave-Maria e uma moeda" para ajudar as crianças do mundo.

Para marcar o Ano da IAM no Brasil, a paróquia Nossa Senhora da Conceição de Amontada (CE), pretende implantar em suas comunidades, um grupo de IAM por mês. A paróquia é constituída por 90 comunidades e em apenas onze delas existem os grupos. Ao perceber o valor desta Obra, a coordenação paroquial, com o apoio de seu pároco, padre Cesanildo Soares, escolheu esse objetivo como a principal meta na vida das crianças.

Percebemos o quanto as crianças que conhecem e vivem o carisma da IAM, amam e mudam seu estilo de vida, passam a serem participativas, crianças missionárias, comprometidas com a Igreja", afirma Jéssica Teófilo, secretária da IAM no estdo do Ceará.

Entre os dias 15 e 17 de março, na Comunidade de Pixaim, 30 crianças e adolescentes e cinco assessores da IAM participaram de um encontro de formação. Os assessores estudaram a história, o carisma e a psicopedagogia da IAM. Os trabalhos encerraram com um momento de oração e lanche partilhado nas dunas, próximo a igreja. "Esse gesto lembrou a multiplicação dos pães. A cada implantação a gente se surpreende com as crianças, participando e amando cada vez mais essa Obra", conta Jéssica.

Durante a missa celebrada pelo padre Edvaldo Monteiro, no domingo, 17, foi implantado o grupo da IAM. Ao consagrar as crianças, adolescentes e assessores da IAM, na presença dos pais e da comunidade em geral, padre Edvaldo sublinhou a importância de ajudar seus filhos a perseverarem na caminhada.

Fonte: Jaime C. Patias - www.pom.org.br

quarta-feira, 20 de março de 2013

Encontro em Natal (RN) prossegue com preparativos do 8º Muticom

O presidente e a assessora da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Dimas Lara Barbosa e irmã Élide Maria Fogolari, respectivamente, e a presidente da Signis Brasil, irmã Helena Corazza, estarão em Natal (RN), no próximo sábado, 23 de março, para uma reunião com as equipes que estão organizando o 8º Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom). A reunião, que também contará com a participação do Arcebispo de Natal, dom Jaime Vieira Rocha.

No encontro, serão apresentados um balanço dos preparativos para o Mutirão. Também, haverá um momento de interação entre os organizadores para a acolhida de sugestões. O 8º Muticom será sediado em Natal, no período de 27 de outubro a 01 de novembro deste ano. É promovido pela CNBB, Signis Brasil, Arquidiocese de Natal,  e  das unidades acadêmicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN: Superintendência de Comunicação, Departamento de Comunicação, Centro Acadêmico Berilo Wanderley e Mestrado em Estudos da Mídia.

As inscrições para o 8º Muticom serão abertas em breve. O site www.muticom.com.br contém informações sobre o evento, como programação, sugestões de hospedagem, peças publicitárias, notícias, entre outras.

Fonte: CNBB